Os contratos futuros de ouro registraram ganhos expressivos na terça-feira (21), embora o metal tenha permanecido dentro de uma faixa de negociação relativamente restrita, em meio à atenção dos investidores às possíveis medidas do Federal Reserve (Fed).

Na Comex, braço de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de ouro com vencimento em agosto avançaram 1,51%, sendo cotados a US$ 4.076,4 por onça-troy ao final do pregão.

O movimento de alta ocorreu com baixa sensibilidade às elevações dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e sem forte correlação com o comportamento dos preços do petróleo. Apesar do avanço, o metal encontrou limites para ganhos mais amplos devido a fatores macroeconômicos e geopolíticos.

O aumento na percepção de risco geopolítico contribuiu para o suporte ao preço do ouro, ao passo que o barril de petróleo superou a faixa dos US$ 90, segundo dados da sessão. Paralelamente, os rendimentos dos Treasuries e o dólar no exterior também registraram alta, mas essa dinâmica não foi acompanhada de forma nítida pelo ouro.

Barbara Lambrecht, analista de commodities do Commerzbank, observa que o ativo tem recebido algum nível de demanda após uma fase de desvalorização recente, com suporte perceptível acima do patamar psicologicamente relevante de US$ 4 mil por onça-troy. Ainda assim, ela alerta que as preocupações relacionadas às taxas de juros nos Estados Unidos devem limitar uma recuperação mais vigorosa.

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Lambrecht também destacou que, nas últimas semanas, algumas autoridades do Fed adotaram uma postura mais “hawkish” [conservadora], o que eleva a incerteza sobre a trajetória da política monetária e reduz espaço para uma escalada mais intensa dos preços do ouro.

No conjunto, a sessão mostrou uma combinação de fatores — risco geopolítico, avanços dos rendimentos e do dólar — que sustentaram parte da alta do ouro, mas mantiveram o metal negociando em uma faixa ainda contida enquanto o mercado aguarda sinais mais claros sobre as futuras decisões do banco central americano.

Com informações de Valor.globo