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Ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) costumam atrair atenção por fortes altas no primeiro dia de negociação, mas esse ganho inicial raramente se traduz em vantagem para a maioria dos investidores. A expectativa ressurgiu com o alvoroço em torno do IPO da SpaceX, que deve ser o maior da história e cuja estreia é vista como potencialmente geradora de um grande “pop” de primeiro dia.

Dados compilados pelo professor Jay Ritter, da Universidade da Flórida, mostram que, em média, um IPO listado nos Estados Unidos registra alta de cerca de 19% entre o preço da oferta e o fechamento do primeiro dia. Esse retorno favorece quem consegue comprar ações ao preço da oferta, um grupo pequeno e seletivo.

Para quem só consegue adquirir as ações após o início das negociações, o cenário é bem distinto. A análise de Ritter, com quase 9.300 IPOs realizados nos EUA entre 1980 e 2024, indica que comprar um IPO no final do primeiro dia e mantê-lo por três anos tende a gerar um retorno aproximadamente 21% inferior ao de um índice de mercado ponderado por valor de mercado.

Mesmo empresas maiores costumam ficar atrás do desempenho do mercado ao longo de três anos. IPOs de companhias com receita anual, ajustada pela inflação, de pelo menos US$ 500 milhões apresentaram desempenho médio inferior em cerca de 4% no período trienal, ainda que o “pop” do primeiro dia nesses casos seja menor — em torno de 10%.

O motivo central é o acesso restrito ao preço de oferta. Bancos coordenadores usam o processo de formação de livro de ofertas (bookbuilding) para selecionar a combinação de investidores — de curto e longo prazo — e nem sempre privilegiam ordem de chegada ou maior oferta de dinheiro. Mesmo instituições podem receber alocações menos atraentes para obter acesso a operações mais disputadas.

Investidores de varejo podem ser contemplados com frações de ações, como se espera para o IPO da SpaceX, mas a demanda costuma superar em muito a oferta, deixando alocações reduzidas para cada participante.

Para maioria, IPOs não replicam ganhos iniciais; poucos lucram com o “pop”

Imagem: Divulgação

Impacto nos índices e no peso da SpaceX

A SpaceX busca avaliação de mercado de US$ 1,77 trilhão e planeja vender menos de 5% de suas ações no IPO. Por isso, índices ponderados por valor de mercado tenderão a atribuir peso menor ao papel, usando critérios de free float — que consideram apenas as ações disponíveis para negociação. Essa regra limita o impacto imediato de empresas com poucas ações em circulação sobre fundos indexados.

Segundo Ritter, IPOs de empresas com vendas anuais superiores a US$ 100 milhões (ajustadas pela inflação) que ofertaram 10% ou menos de suas ações apresentaram desempenho médio cerca de 5% inferior ao mercado após três anos, embora tenham registrado valorização média de aproximadamente 32% no primeiro dia.





Aplicar essas médias à SpaceX é complexo: a companhia pretende realizar a maior abertura de capital da história em uma avaliação recorde, além de manter controle concentrado nas mãos de Elon Musk. Para quem não comprar no preço de oferta, observar os lançamentos e a estreia na bolsa pode ser interessante, mas não garante o mesmo retorno dos poucos que acessam a oferta inicial.

Com informações de Investnews