O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou em 23 de julho de 2026 a celebração de um contrato com a Oracle de até US$ 7 bilhões (equivalente a R$ 35,7 bilhões) para consolidar as licenças de software usadas em seus data centers locais sob um único acordo.

O compromisso, com vigência inicial de cinco anos e opção de renovação por mais cinco, integra uma iniciativa do Pentágono voltada a reduzir despesas e acabar com compras fragmentadas de tecnologia.

Quem, o que e como

Negociado pelo Departamento da Marinha, o chamado Enterprise Software Agreement abrange o uso de softwares Oracle em ambiente on‑premises e vale para todas as unidades do Departamento de Defesa, além da Guarda Costeira dos Estados Unidos e da comunidade de inteligência norte‑americana.

Segundo Kirsten Davies, chefe de informação (CIO) do Pentágono, a centralização dos contratos deve gerar uma economia mínima de US$ 441 milhões (R$ 2,2 bilhões) para os contribuintes, ao simplificar e agilizar a aquisição de recursos locais da Oracle.

Consolidação de contratos

O acordo com a Oracle dá continuidade a um esforço similar anunciado em maio, quando o Pentágono firmou um contrato de cinco anos no valor de US$ 9,6 bilhões (R$ 49,4 bilhões) para unificar licenças da Microsoft e outros softwares corporativos que antes estavam distribuídos entre ramos das Forças Armadas, a comunidade de inteligência e a Guarda Costeira.

O Departamento de Defesa afirma que ambos os contratos fazem parte de uma estratégia mais ampla liderada por Davies para eliminar sobreposição de gastos com software, substituindo múltiplos acordos isolados por contratos que atendam toda a estrutura governamental.

Impacto para a Oracle e situação financeira

O novo contrato também representa um ganho para a Oracle, cujas ações reagiram com alta de cerca de 3% nas negociações após o fechamento do mercado. O período inicial de cinco anos inclui licenças perpétuas e por assinatura, além de serviços de manutenção e consultoria ligados aos softwares fornecidos.

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Apesar desse avanço comercial, as ações da Oracle acumulam queda de 38% no ano. Investidores têm demonstrado preocupação com os efeitos da inteligência artificial nas perspectivas das empresas tradicionais de software. A companhia também contraiu dezenas de bilhões de dólares em dívidas para ampliar sua infraestrutura de data centers voltados à IA.

Em junho, a Oracle reportou recuo de 2% na receita trimestral com software em base anual, embora seu banco de dados continue amplamente utilizado. Por outro lado, a divisão de computação em nuvem cresceu 47%, impulsionada pela demanda por capacidade computacional para IA, incluindo fornecimento à OpenAI e outros clientes.

Relações públicas e contexto político

O cofundador da Oracle, Larry Ellison, figura em reportagens sobre sua proximidade com o presidente Donald Trump: ele teria doado US$ 45 milhões a uma ONG que apoiou a campanha presidencial de Trump em 2024 e esteve entre os primeiros convidados na Casa Branca no segundo mandato do presidente, quando anunciou planos para os data centers de IA do projeto Stargate nos EUA. Trump chegou a apoiar a participação da Oracle na operação envolvendo ativos americanos do TikTok. Em maio, o Departamento de Defesa também anunciou acordos com a Oracle e outras empresas para implantar soluções de IA em redes classificadas do governo.

O anúncio do contrato da Oracle ocorreu na mesma semana em que o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, já teria custado US$ 37,5 bilhões (R$ 191,2 bilhões) ao país — comentário citado no contexto dos esforços do Pentágono para racionalizar despesas por meio da consolidação de contratos de tecnologia.

Com informações de Olhardigital