Criador australiano transformou propriedade e método acabou reconhecido internacionalmente

Em 1973, o criador de cavalos Peter Andrews adquiriu a propriedade degradada Tarwyn Park, em Nova Gales do Sul. Ao assumir a fazenda, Andrews decidiu não remover os salgueiros que muitos consideravam pragas, optando por uma abordagem diferente no manejo da paisagem.

A partir dessa opção nasceu a proposta conhecida como Agricultura de Sequência Natural, baseada na reorganização do fluxo de água e na restauração das margens dos cursos d’água. Por décadas, a prática de Andrews foi alvo de denúncias por parte de vizinhos e permaneceu sem respaldo institucional. O método chegou a ser rejeitado pelo governo por 30 anos, segundo relatos.

Ao longo desse período conturbado, Andrew enfrentou consequências pessoais e financeiras: a propriedade acabou sendo tomada pelo banco e seu casamento se desfez. Apesar dos reveses, a técnica continuou sendo aplicada em Tarwyn Park e em outras áreas sob sua orientação.

Com o tempo, a Agricultura de Sequência Natural demonstrou efeito sobre a recuperação de ambientes degradados, incluindo o reabastecimento de riachos que haviam se tornado secos. Esses resultados tornaram o método uma referência para práticas de recuperação hídrica e manejo do solo em regiões afetadas por erosão e perda de fluxo em cursos d’água.

Em reconhecimento à relevância do modelo, a Organização das Nações Unidas (ONU) incluiu a abordagem desenvolvida por Andrews entre cinco modelos de agricultura destacados internacionalmente. A inclusão pela ONU representa um reconhecimento formal da importância das técnicas aplicadas por Andrews para a recuperação de paisagens e a gestão da água.

Peter Andrews teve a fazenda perdida para o banco, casamento desfeito e método rejeitado por 30 anos, mas técnica foi reconhecida pela ONU

Imagem: Divulgação

O caso de Peter Andrews ilustra a trajetória de uma prática inicialmente desconsiderada e contestada localmente que, após décadas, alcançou reconhecimento em âmbito internacional por meio da ONU.





Com informações de Clickpetroleoegas