A Petrobras informou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, montante 7,3% inferior ao apurado no mesmo período de 2025. Em pronunciamento sobre os resultados, a estatal também comunicou a antecipação do pagamento de R$ 9,03 bilhões em dividendos aos acionistas relativos ao exercício de 2026.
Excluídos efeitos pontuais, como ganhos cambiais e reavaliações de ativos, o lucro ajustado ficou em R$ 23,8 bilhões, praticamente estável na comparação anual. A receita líquida do período alcançou R$ 123,7 bilhões, alta marginal de 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A geração de caixa operacional somou R$ 44 bilhões no trimestre, queda de 10,9% frente ao mesmo intervalo do ano anterior. O caixa livre — valor remanescente após investimentos — foi de R$ 20,1 bilhões, recuo de 22,9% na mesma comparação.
Na carta aos investidores, Fernando Melgarejo, diretor financeiro, afirmou que a companhia apresentou resultados financeiros consistentes no primeiro trimestre de 2026, sustentados pela boa performance dos ativos e pelos recordes de produção de óleo e gás.
Impacto da guerra no Irã
O conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado no fim de fevereiro, elevou o preço do barril próximo de US$ 120 em março — alta de cerca de 30% desde o começo das hostilidades. No entanto, o preço médio do barril no trimestre ficou em US$ 80,61, 26,6% superior ao do quarto trimestre de 2025 e ainda abaixo das máximas observadas após a escalada do conflito.
A Petrobras destaca que a precificação das vendas destinadas à Ásia considera as cotações do mês anterior à chegada da carga, o que gera defasagem entre a alta do mercado e o reconhecimento das receitas. Ao fim de março havia 81 mil barris por dia em embarque cujas receitas ainda não haviam sido contabilizadas.
Além disso, a formação de estoques consumiu R$ 6,9 bilhões a mais no trimestre, pressionando o caixa operacional e contribuindo para a queda de 10,9% na geração de caixa comparada ao mesmo período do ano anterior.
Operações e investimentos
A produção de petróleo e gás teve avanço de 3,7% em relação ao quarto trimestre de 2025, com registros operacionais históricos. Os investimentos no trimestre somaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual, concentrados na expansão dos campos de Búzios e Sépia (Bacia de Santos) e na revitalização do campo de Marlim (Bacia de Campos).
O custo de extração no pré-sal ficou em US$ 4,67 por barril, entre os menores do mundo, mas registrou aumento de 10,6% em relação ao trimestre anterior, influenciado pela valorização do real e por custos de equipamento em fase inicial, como a plataforma P-78, em operação desde dezembro. A plataforma P-79 entrou em operação em 1º de maio, com capacidade de 180 mil barris diários.
Imagem: Dado Galdieri/Bloomberg
Os impostos e participações governamentais na área de exploração e produção atingiram R$ 18,1 bilhões, alta de 34% em relação ao trimestre anterior, reflexo dos preços mais elevados do petróleo.
Refino e endividamento
O segmento de refino foi destaque positivo, com resultado mais que dobrando em relação ao quarto trimestre de 2025 e margem passando de 8% para 17%. A companhia aproveitou estoques de derivados acumulados quando o petróleo estava mais barato e elevou o processamento nas refinarias, reduzindo a necessidade de importações diante de cotações internacionais elevadas.
A dívida líquida encerrou março em US$ 62,1 bilhões, aumento de 2,5% em relação ao fechamento de 2025, pressionada por investimentos e pagamentos de arrendamentos de plataformas e equipamentos. A dívida bruta foi de US$ 71,2 bilhões, com prazo médio de 11,3 anos e custo médio de 6,8% ao ano. A relação entre dívida e geração de caixa dos últimos 12 meses ficou em 1,43 vez, praticamente estável frente ao trimestre anterior.
Dividendos
O Conselho de Administração aprovou o pagamento antecipado de R$ 9,03 bilhões aos acionistas, o que equivale a R$ 0,70 por ação ordinária e preferencial. O montante segue a política de distribuir 45% do caixa gerado após investimentos quando a dívida bruta está dentro do limite estabelecido.
O pagamento será realizado em duas parcelas iguais, em 20 de agosto e 21 de setembro, na forma de juros sobre capital próprio. A data-base para apuração dos acionistas com direito aos proventos é 1º de junho; a partir de 2 de junho as ações passarão a ser negociadas ex-direito aos dividendos.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6