Tokio — O índice de preços ao produtor do Japão registrou alta de 7,1% em junho na comparação anual, acelerando no ritmo mais intenso em mais de três anos e reforçando argumentos a favor de elevações adicionais na taxa de juros, segundo dados divulgados pelo Banco do Japão nesta sexta-feira (10).
O resultado superou a previsão mediana do mercado, que apontava para um aumento de 6,8%, e também ficou acima da elevação revisada de 6,6% em maio. Autoridades e analistas têm atribuído parte do repasse de custos ao avanço do conflito no Oriente Médio, que elevou preços de energia e pressionou custos de produção.
Entre os componentes que mais subiram estão os preços dos combustíveis, que subiram 22,8% em relação ao ano anterior, e os preços dos metais não ferrosos, com aumento de 39,2%, reflexo tanto do choque energético quanto da demanda por matérias‑primas ligadas a aplicações em inteligência artificial. A desvalorização persistente do iene também contribuiu para encarecer importações: o índice de preços de importação em ienes avançou 29,7% em junho ante o mesmo mês do ano anterior, acelerando frente ao ganho revisado de 26,1% em maio.
Masato Koike, economista sênior do Sompo Institute Plus, afirmou que a inflação no atacado deve permanecer elevada enquanto as negociações entre EUA e Irã permanecerem em impasse, e que o impacto das restrições de oferta e dos aumentos anteriores nos custos de energia continuará a refletir-se em preços de diversos bens. Ele alertou que, caso os preços de muitos produtos subam de forma acentuada, o Banco do Japão poderá antecipar novas altas de juros, inclusive em outubro.
Os números divulgados entram na análise do Banco do Japão para a próxima reunião de política monetária de dois dias, que termina em 31 de julho. Após ter elevado sua taxa básica para 1% — o maior nível em 31 anos — no mês passado, o órgão deve manter o juro estável na reunião, mas divulgar novas projeções trimestrais de crescimento e inflação que podem indicar o timing do próximo ajuste.
Imagem: Bloomberg
O conflito no Oriente Médio tem dificultado a trajetória da política monetária ao pressionar preços de petróleo e, por consequência, uma economia dependente de combustíveis importados. Ao mesmo tempo, a inflação subjacente ao consumidor permaneceu abaixo da meta de 2% do Banco do Japão pelo quarto mês consecutivo em maio, em parte devido a subsídios do governo que têm amenizado a alta dos custos de energia.
Em entrevista na sexta-feira (10), o ministro da Economia, Minoru Kiuchi, observou que, embora aumentos anteriores nos preços do petróleo estejam elevando os valores no atacado, os preços ao consumidor têm subido apenas de forma moderada devido às medidas governamentais, e que o efeito da desvalorização do iene sobre a inflação ocorre com atraso e não é necessariamente tão grande.
Com informações de Valor.globo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6