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O agravamento do confronto entre Estados Unidos e Irã provocou forte aversão a risco nos mercados nesta terça-feira (3), com índices globais em queda acentuada e investidores buscando proteção em moedas e ativos considerados refúgios. A escalada do conflito alterou o humor dos mercados que, embora tivessem sentido apenas impactos moderados na segunda-feira (2), registraram perdas significativas no dia seguinte.

O dólar comercial subiu 1,65%, sendo cotado a R$ 5,2565 por volta das 12h de terça-feira (3). No acumulado do ano, a moeda norte-americana ainda mantém baixa de 4%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, avançou cerca de 1% no dia.

No mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 3,35%, operando aos 182.955 pontos. Em linha com o movimento dos mercados emergentes, o EEM — ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, referência para bolsas desses países — caiu cerca de 7% no dia. Todos os principais índices globais também apresentaram perdas, incluindo os americanos.

Especialistas em alocação de carteira ressaltaram a função tradicional do dólar como ativo de proteção em momentos de forte volatilidade e maior busca por segurança. A diversificação, com ativos de correlações distintas, foi apontada como estratégia adequada para reduzir exposição ao risco de ações.

Ouro e juros

O ouro, outra alternativa clássica de proteção, operou em queda de 3,58%, na faixa dos US$ 5.131 a onça. Parte da explicação para o recuo é o uso do metal como forma de gerar liquidez: investidores que haviam realizado ganhos recentes optaram por vender para constituir caixa. Além disso, a valorização do dólar torna o ouro mais caro para quem compra em outras moedas, reduzindo a demanda internacional.

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As taxas dos títulos do Tesouro dos EUA subiram no dia, tanto nos papéis de dois anos quanto nos de dez anos. Esse movimento reduz expectativas de cortes de juros na economia americana, diante do risco de pressões inflacionárias associadas a um aumento no preço do petróleo, tornando títulos norte-americanos relativamente mais atraentes e pressionando o preço do metal.

O conflito teve desdobramentos econômicos diretos: o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra contra o Irã deve durar entre quatro e cinco semanas, período em que a volatilidade nos mercados deve permanecer elevada. Ontem, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo. Apesar de haver capacidade marginal de produção em outros exportadores que poderia compensar parte do abastecimento, o risco aumentou e o Brent retornou à faixa de US$ 80 por barril.

O cenário de incerteza geopolítica e seus impactos sobre oferta de petróleo, taxas e moedas explicam a corrente busca por proteção observada hoje nos mercados.

Com informações de Investnews