A Polícia Civil de São Paulo remeteu ao Ministério Público um relatório elaborado pelo Núcleo de Observação Digital (NOAD) que evidencia deficiências de segurança em plataformas de comunicação, como o Discord. Segundo o documento, a ausência de controle efetivo possibilita crimes contra crianças e adolescentes em transmissões ao vivo, incluindo violência e incentivo ao suicídio.

De acordo com o NOAD, a moderação do Discord apresenta lentidão na remoção de grupos suspeitos, que permanecem ativos por dias ou até semanas. O estudo também aponta falhas de supervisão e monitoramento tanto em aplicativos de chat quanto em ambientes de jogos online, onde criminosos trocam material proibido e aliciam menores.

O principal objetivo da Polícia Civil é pressionar empresas de tecnologia a corrigir esses pontos vulneráveis e cooperar na identificação de autores de delitos na internet. O relatório sugere que as companhias adotem mecanismos mais ágeis de denúncia e bloqueio, além de reforçar a equipe de revisão de conteúdo em tempo real.

Resgate de jovens e monitoramento de perfis suspeitos

Para coibir abusos, o NOAD mantém plantão 24 horas em áreas frequentadas por usuários jovens. Investigações envolvem policiais disfarçados, que atuam como “observadores” para mapear quadrilhas virtuais e localizar possíveis vítimas. Desde o final de 2024, essa estratégia resultou no resgate de 359 crianças e adolescentes em situação de risco.

Atualmente, os agentes acompanham 1,2 mil perfis suspeitos de envolvimento em crimes sexuais e disseminação de imagens ilegais. As informações coletadas são transformadas em provas para subsidiar ações judiciais e prender responsáveis por delitos contra menores.

Imagem: Divulgação

O receio de exposição online é reforçado por pesquisas da Unico e da Ipsos, que indicam que 57% dos jovens entre 10 e 17 anos já encontraram conteúdos impróprios ou perigosos na web. Esses dados reforçam a avaliação de que sistemas automáticos de moderação não garantem proteção suficiente aos menores.

Com o relatório em mãos, o Ministério Público estuda medidas para obrigar plataformas como o Discord a aprimorar sua fiscalização. A proposta é que as empresas de tecnologia assumam responsabilidade imediata pelo conteúdo veiculado em suas redes, contribuindo para reduzir a violência online e assegurar um ambiente digital mais seguro para os jovens.

Com informações de Olhardigital