O voo praticamente silencioso das corujas é resultado de adaptações físicas e comportamentais que permitem a esses predadores alcançar presas sem serem percebidos. Estudos citados pela Audubon Society mostram que a morfologia das penas e o modo de bater das asas reduzem significativamente o ruído gerado pelo deslocamento no ar.

Como funciona o silêncio durante o voo

A estrutura das penas das corujas atua como um amortecedor acústico natural. Bordas serrilhadas nas rédeas das penas de ataque fragmentam o fluxo de ar, transformando-o em microcorrentes que não produzem ondas sonoras intensas. Uma penugem macia recobre a superfície das asas, atenuando sons de alta frequência causados pelo atrito com o ar. Na borda de saída, franjas flexíveis minimizam a formação de vórtices finais que poderiam gerar ruído em “chicote”.

Elementos biológicos das asas

A anatomia dessas aves complementa as características das penas: distribuição de massa e flexibilidade das asas suavizam o contato com o ar, enquanto uma envergadura ampla em relação ao peso corporal possibilita um voo mais lento e controlado. Além disso, o próprio comportamento de voo — batidas mais lentas e largas que aproveitam correntes — contribui para manter a discrição sonora durante a caça noturna.

Entre os componentes que tornam esse sistema eficiente estão:

  • Penas primárias com bordas serrilhadas que dispersam o fluxo de ar;
  • Textura aveludada na superfície das asas para absorção de ruídos de alta frequência;
  • Bordas de saída porosas ou franjadas que suprimem vórtices sonoros;
  • Proporção de área alar para peso que favorece voo lento e estável.

Comparação acústica com outras aves

Ao comparar diferentes espécies, observa-se que as corujas operam em faixas sonoras mais baixas. A morfologia das penas impede a formação de vórtices ruidosos típicos de aves com penas rígidas, o que torna o ruído do bater de asas das corujas quase inaudível para suas presas. Em termos gerais, as aves comuns tendem a gerar sons de maior frequência (acima de 2 kHz), enquanto as corujas atuam com níveis mais baixos (abaixo de 2 kHz).

Imagem: Divulgação

Aplicações tecnológicas e limitações

O conhecimento sobre a microestrutura das penas tem sido aproveitado pela biomimética: projetistas estudam esses detalhes para reduzir o ruído de pás de turbinas eólicas, ventiladores e bordas de asas de aeronaves, com vistas a diminuir impacto sonoro em áreas urbanas e durante decolagens. Contudo, a especialização que favorece o silêncio também traz desvantagens — penas macias e porosas não repelem a água tão bem quanto as de aves aquáticas, dificultando o voo em chuvas intensas. Por essa razão, corujas costumam evitar caçar sob tempestades.

As adaptações que tornam o voo das corujas tão discreto são, portanto, resultado de milhões de anos de seleção natural, equilibrando eficiência acústica e restrições ambientais.

Com informações de Olhardigital