Pesquisadores que investigam o comportamento de aves urbanas concluíram que gaivotas em áreas litorâneas usam sinais visuais humanos para decidir quais alimentos merecem atenção, segundo estudo publicado na Royal Society Biology Letters. O trabalho aponta que o contato humano com embalagens influencia diretamente as escolhas desses animais.

Quem e o que

Uma equipe de biólogos examinou como gaivotas urbanas reagem a embalagens de alimentos semelhantes a batatas fritas expostas por pessoas nas praias. Os cientistas testaram se as aves diferenciavam recipientes que haviam sido manuseados por humanos daqueles que ficaram intocados.

Como foi o experimento

Os pesquisadores colocaram dois recipientes idênticos cheios de petiscos em uma área frequentada pelas aves. Em seguida, simularam o consumo de um dos pacotes, manipulando-o visualmente diante das gaivotas, enquanto o outro permaneceu no chão sem qualquer interação humana. As embalagens apresentavam cores semelhantes às de batatas fritas comerciais.

Resultados

A maioria dos indivíduos avaliados direcionou-se ao recipiente que havia sido tocado pelos testes, ignorando com mais frequência o pacote deixado sem contato. Observações comportamentais apontaram que as gaivotas monitoravam o comportamento das pessoas à distância antes de se aproximarem das possíveis fontes de alimento.

Por que as gaivotas agem assim

Segundo os autores, o comportamento reflete uma aprendizagem adaptativa ao ambiente urbano: as aves associam sinais humanos à disponibilidade rápida de alimentos com alto teor calórico. A proximidade com centros urbanos favoreceu o desenvolvimento de táticas que reduzem o esforço necessário para obter alimento.

Imagem: Divulgação

Impacto na nutrição e no comportamento

Os cientistas alertam que a ingestão frequente de produtos industrializados modifica a dieta natural das gaivotas, reduzindo a busca por peixes e pequenos crustáceos. Alimentos processados apresentam níveis de sódio e conservantes que podem ser nocivos, e essa dependência de restos urbanos preocupa especialistas em fauna.

Autoridades ambientais e defensores da vida selvagem recomendam que banhistas e turistas evitem alimentar as aves e adotem medidas de manejo, como lixeiras seguras, para reduzir contatos que incentivem esse tipo de interação.

Com informações de Olhardigital