Um grupo internacional de astrônomos localizou sinais que indicam a presença de um possível satélite natural fora do Sistema Solar no sistema CD-35 2722. O achado, divulgado em estudo publicado na revista Nature em 22 de julho de 2026, foi obtido a partir de observações realizadas entre outubro de 2023 e fevereiro de 2026 com o Very Large Telescope (VLT), no Chile.
De acordo com os pesquisadores, o corpo em questão parece orbitar a anã marrom CD-35 2722 B, que por sua vez acompanha uma estrela com massa aproximada de metade da massa do Sol. A existência do exossatélite não foi confirmada por imagem direta; sua detecção decorre das pequenas variações no movimento da anã marrom causadas pela atração gravitacional do objeto companheiro.
Caracterização e incertezas
A análise indica que o ciclo orbital do corpo tem duração de cerca de 170 dias. A anã marrom CD-35 2722 B tem massa estimada em aproximadamente 37 massas de Júpiter, enquanto o objeto associado apresenta massa próxima à de Júpiter — valor muito maior que o das luas conhecidas no Sistema Solar, o que torna sua classificação ambígua.
Por essa razão, os autores optaram por empregar o termo exossatélite, que descreve qualquer corpo que orbite um objeto fora do Sistema Solar sem, por ora, decidir se deve ser considerado uma lua ou um planeta. O arranjo observado — um corpo com massa comparável à de um gigante gasoso orbitando uma anã marrom — foge à estrutura usual em que luas orbitam planetas e planetas orbitam estrelas.
Kevin Hoy, autor principal do trabalho e doutorando na Universidad Diego Portales, no Chile, afirmou em entrevista ao g1 que o objeto desafia as categorias tradicionais usadas para descrever sistemas semelhantes ao Solar e que os padrões previstos pelos modelos iniciais foram confirmados por observações subsequentes.
Imagem: ESO/M. Kornmesser
Os cientistas ressaltam que a confirmação dependerá de novas medições. Entre as estratégias previstas está a medição direta do deslocamento causado pelo candidato a exossatélite sobre a anã marrom, o que permitiria estimar com maior precisão sua massa e traçar sua órbita com segurança.
Os autores também apontam que, com o avanço dos instrumentos astronômicos, a técnica utilizada poderá ser aplicada na busca por outros corpos similares, incluindo exoluas menores e com propriedades mais próximas às vistas no Sistema Solar. O estudo pode ainda motivar debate sobre critérios de classificação de objetos celestes, como exolua e exoplaneta.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6