Horário: 7h23 (Brasília UTC-3)

O presidente Donald Trump publicou uma mensagem nas redes sociais às 7h23 do dia 23 de março, que funcionou como sinal para o JPMorgan Chase avançar com o financiamento do chamado Projeto Eagle: a aquisição de US$ 55 bilhões da Electronic Arts (EA) por um consórcio de private equity. Dentro do banco, a publicação foi entendida como a janela de oportunidade necessária para concluir a operação.

Por semanas, executivos do JPMorgan acompanharam com preocupação a escalada do conflito no Oriente Médio, que ameaçava a estabilidade dos mercados e afetava o cronograma do maior leveraged buyout já tentado. Até 22 de março havia receio de que os Estados Unidos atacassem a infraestrutura energética do Irã, o que poderia provocar fortes quedas nos mercados.

Decisão e estrutura do financiamento

No dia 23, após o anúncio de Trump de que qualquer ataque seria adiado por cinco dias, o banco entendeu que era o momento de seguir adiante. O JPMorgan lançou oferta de US$ 6,4 bilhões em títulos e finalizou uma operação de empréstimos alavancados de US$ 8,125 bilhões iniciada uma semana antes. Inicialmente, o banco havia disponibilizado US$ 20 bilhões para viabilizar a compra, liderada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, com participação da Silver Lake e da Affinity Partners, ligada a Jared Kushner.

Executivos do próprio JPMorgan, entre eles o CEO Jamie Dimon, demonstraram confiança na liderança da EA, destacando o CEO Andrew Wilson. Em apresentação durante conferência do banco em Miami, Wilson e o CFO Stuart Canfield responderam a perguntas de investidores, sobretudo sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios. O objetivo era captar pelo menos US$ 500 milhões de grandes investidores, como State Street e Invesco — meta que foi atingida em poucas horas.

Mercado e demanda

Com a guerra elevando a volatilidade e pressionando preços do petróleo e inflação, a equipe do banco trabalhou em três fusos horários para distribuir a dívida. Mais de 500 investidores manifestaram interesse, e a demanda por papéis superou US$ 50 bilhões para uma oferta de US$ 15 bilhões. Os empréstimos foram oferecidos com desconto de 98,5 centavos por dólar, enquanto os títulos pagaram rendimentos superiores aos de papéis comparáveis, reflexo do ambiente desafiador.

Post de Trump às 7h23 liberou financiamento de US$ 55 bilhões para compra da EA Games

Imagem: Sede da Eletronic Arts

O JPMorgan ajustou a estrutura várias vezes, privilegiando empréstimos em vez de títulos para dar à EA mais flexibilidade para reduzir dívida no futuro. A operação foi entendida internamente como crucial: uma falha na colocação da dívida poderia travar não apenas a compra da EA, mas também cerca de US$ 100 bilhões em financiamentos de fusões e aquisições que Wall Street tenta executar neste ano.

Contexto e efeitos

Gestores de ativos apontaram que o banco aproveitou uma rara janela de calmaria em meio à turbulência. Ainda assim, o ambiente para novos leveraged buyouts permanece incerto; por exemplo, o financiamento da Qualtrics foi suspenso após resistência de investidores preocupados com a inteligência artificial. O JPMorgan também lidera outras operações relevantes, incluindo financiamento de US$ 4,7 bilhões para a aquisição da Sealed Air e emissão adicional de US$ 2,45 bilhões em títulos high yield.

A operação da EA coloca em evidência a sensibilidade dos mercados a eventos geopolíticos e o papel de decisões rápidas por parte dos bancos ao estruturar negócios de grande porte.

Com informações de Investnews