A predominância de iniciativas corporativas de bem‑estar não tem reduzido o burnout. Relatório WorkForces da Aflac, divulgado em novembro de 2024, indicou que o problema afetou quase 3 em cada 5 trabalhadores nos Estados Unidos, enquanto a parcela de funcionários que relataram altos níveis de estresse subiu para 38% em 2024, ante 33% em 2023.
Entrevistada para um projeto sobre suporte emocional no trabalho, Natallia Miranchuk, fundadora da SOULA — plataforma que reúne neurociência, saúde e inteligência artificial — afirma que a solução pode estar em mudar o foco das ações de bem‑estar. Miranchuk concentrou sua pesquisa principalmente em mulheres, mas defende que os achados valem para profissionais de alto desempenho em geral.
Resultados do piloto com InDrive
A SOULA conduziu um programa piloto com a InDrive, startup unicórnio com mais de 2.000 funcionários. O engajamento entre os participantes foi de 67% de uso contínuo, número muito acima da média do setor para aplicativos de bem‑estarem como Calm ou Headspace, que gira em torno de 3%.
Os usuários acessaram a plataforma entre quatro e seis vezes por semana para sessões curtas de cerca de 10 minutos, descritas pela fundadora como “terapia de autorreflexão”, sem necessidade de agendamento com terapeuta ou espera por chamadas de coaching.
Insights principais
Os dados do piloto sugerem mudanças práticas para líderes e programas de RH. Primeiro, a presença de suporte no momento em que a pessoa precisa mostrou‑se mais eficaz do que intervenções periódicas agendadas: os participantes buscaram ajuda em tempo real, repetidamente ao longo da semana.
Segundo, a sensação de cuidado genuíno e segurança psicológica ativa vias neurais associadas à criatividade, tomada de riscos e resiliência, segundo Miranchuk. Líderes que demonstram cuidado criam condições para desempenho sustentável, em vez de simplesmente otimizar produtividade.
Terceiro, a personalização importa. A pesquisa com mulheres ressaltou que ciclos biológicos, padrões hormonais e respostas ao estresse variam significativamente; programas genéricos não contemplam essas diferenças. O conceito de “resiliência suave” proposto por Miranchuk enfatiza autoconhecimento dos ritmos individuais e rotinas preventivas para evitar esgotamento.
Imagem: master1305 via Getty images
Impacto na cultura e na ambição
No piloto, uma prática simples — perguntar “Como você está hoje?” e escutar por três minutos — incentivou a formação espontânea de redes de apoio entre colegas, com ajuda mútua em cuidados com filhos, refeições e logística. Segundo Miranchuk, esse pertencimento emergiu da presença autêntica, não de exercícios formais.
Além disso, líderes seniores, especialmente mulheres, têm redefinido a ambição, procurando papéis com foco em impacto e resultados visíveis, em vez de promoções pelo status. Empresas que não entenderem essa mudança correm risco de perder talentos para empreendedorismo, consultoria ou projetos sociais.
Sugestões práticas
Miranchuk propõe três ações imediatas: revisar criticamente as ofertas de bem‑estar para checar se elas consideram como as pessoas vivem o estresse; promover pausas exemplares — por exemplo, abrir reuniões com “Como você está hoje?” e ouvir atentamente por três minutos; e ampliar métricas, indo além da produtividade para incluir indicadores de sustentabilidade energética, ou seja, práticas que permitem manter desempenho sem esgotamento.
Organizações que incorporarem suporte em tempo real, personalização e cuidado genuíno têm mais chances de manter profissionais de alto desempenho sem pressioná‑los além do sustentável.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6