A boutique de fusões e aquisições Centria Partners identifica a exportação de propriedade intelectual como o principal motor da nova etapa de operações envolvendo startups brasileiras. A firma, especializada em tecnologia e mídia, observa crescente interesse de investidores estrangeiros em ativos intangíveis desenvolvidos no País.

Segundo Patrick Cannell, sócio e diretor-geral da Centria Partners, o Brasil tem produzido “novos nomes” e propriedades intelectuais de forma contínua, atraindo capital tanto de compradores estratégicos quanto de fundos internacionais. Dos mais de 90 negócios assessorados pela boutique, entre 60% e 70% corresponderam a vendas integrais de empresas, e cerca de 60% a 65% dessas transações foram cross-border, aponta o executivo.

O que está em jogo

A Centria foi criada há cerca de 15 anos com a proposta de avaliar ativos que não aparecem de forma direta no balanço patrimonial, como tecnologia e propriedade intelectual. Cannell destaca exemplos globais para ilustrar o valor desses ativos: empresas cujo catálogo ou direitos intelectuais representam a maior fonte de receita, em vez de ativos físicos. No mercado musical, lembra-se que fundos que compram direitos de artistas pagam por fluxos de royalties futuros, não por instalações ou equipamentos.

No entendimento da boutique, o Brasil passa por um estágio de maturidade em que não só gera criatividade e cultura para consumo interno, mas também estrutura propriedades intelectuais que seduzem investidores institucionais no exterior. A empresa atua especialmente em tecnologia — com histórico relevante em fintechs — e em mídia e entretenimento, setores apontados como principais geradores de valor na próxima década. Cannell cita a capacidade de soluções tecnológicas brasileiras competirem internacionalmente, como no exemplo do Nubank.

Perspectiva para o mercado de M&A

Para 2026, a avaliação da Centria é de um ambiente mais favorável para fusões e aquisições do que o observado em 2025. Entre os fatores mencionados está o rapprochement entre o valor pedido por vendedores e o que compradores estão dispostos a pagar, além de uma reavaliação de ativos antes subvalorizados, como tecnologias com potencial escalável e fluxo de caixa previsível.

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A boutique atende tanto compradores estratégicos quanto fundos e privilegia relacionamentos de longo prazo. Sua chamada “metodologia de copiloto” consiste em engajar-se com empreendedores um ou dois anos antes da operação para preparar valuation, tese de investimento, estrutura do negócio e melhorias de governança e processos, com o objetivo de levar as empresas à negociação em condições adequadas.

A Centria ressalta que esse trabalho de preparação visa reduzir a assimetria entre empreendedores e capital institucional, entregando ao mercado empresas com estruturas, equipes e fluxos alinhados para a transação.

Com informações de Infomoney