Reforma começa a ser aplicada e empresas enfrentam desafio de comunicar mudanças
Aprovada após anos de negociação, a Reforma Tributária passou à etapa de implementação em 2026 e, segundo especialistas, o principal desafio agora é explicar as mudanças para empresas, consumidores e demais públicos. O tema foi discutido em 6 de maio, durante debate promovido pela Aberje em parceria com o InfoMoney, realizado na sede da Aberje, em São Paulo.
Participaram do evento representantes do mercado, da academia e da comunicação corporativa, entre eles Vanessa Canado, professora sênior e coordenadora do Núcleo de Tributação do Insper; Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econômica da XP Investimentos; e Leonardo Müller, economista-chefe da Aberje. O CEO do InfoMoney, Rodrigo Flores, também comentou sobre os impactos da mudança.
Segundo os debatedores, a aprovação no Congresso foi apenas a primeira etapa. Agora, a tarefa é tornar operacional um sistema que até então era tratado em termos amplos. Como observou Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia, durante a tramitação se discutia a reforma em “grandes blocos” sem detalhar aspectos práticos como a emissão de notas fiscais. Ela ressaltou que a implementação é, em muitos aspectos, mais complexa que o próprio processo político: “A implementação, do ponto de vista geral, é mais complexa do que o próprio processo político”.
O período de transição, que vai até 2032, foi destacado como fonte de incerteza. Rodolfo Margato afirmou que, apesar de a reforma ter superado uma etapa delicada no plano político, é preciso transformar as regras aprovadas em efeitos concretos para empresas e consumidores. “Por isso, a comunicação será o maior desafio, especialmente durante o período de transição, que vai até 2032 e ainda é nebuloso, exigindo estudos específicos para setores e empresas”, disse.
Uma das mudanças centrais é a adoção do IVA dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) na esfera federal e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos estados e municípios. A expectativa dos especialistas é que o novo arranjo aumente a transparência da carga tributária nas notas fiscais, deixando mais claro o quanto de imposto incide sobre bens e serviços.
O debate também enfatizou o papel estratégico da comunicação corporativa na transição. As empresas precisarão explicar revisão de preços, ajustes contratuais, mudanças de custos e adaptações operacionais em um cenário de convivência entre os sistemas antigo e novo. Organizadores do evento classificaram o processo como uma “transição institucional” com potencial para alterar critérios de competitividade e reputação empresarial.
Imagem: Ap
Além disso, Margato apontou que a reforma pode reduzir a necessidade de grandes departamentos fiscais nas empresas, e que ganhos de eficiência — potencialmente ampliados pelo uso de Inteligência Artificial — poderão diminuir custos e afetar preços finais. Em meio a esses efeitos, os debatedores reforçaram a importância de informações confiáveis durante todo o período de implementação.
A discussão confirmou a mudança de natureza da pauta: deixada a esfera legislativa, a Reforma Tributária passou a ser um desafio operacional, econômico e comunicacional que exigirá clarificação ampla para todos os agentes envolvidos.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6