René Redzepi anunciou que deixará a liderança do Noma durante o primeiro dia do pop-up do restaurante em Los Angeles, em meio a protestos do lado de fora e à divulgação de reportagens que o acusam de ter agredido e humilhado funcionários no passado.
O comunicado foi divulgado em vídeo nas contas pessoais de Redzepi e do Noma no Instagram. Nele, o chef afirmou lamentar a situação vivida pela equipe. A saída ocorre após publicação de uma matéria do The New York Times com relatos de ex-cozinheiros sobre comportamentos violentos dentro da cozinha.
Fundado em 2003, o Noma tornou-se referência global: alcançou três estrelas Michelin, figurou cinco vezes na primeira posição da lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo e influenciou gerações de chefs com livros e práticas culinárias. O restaurante também ficou conhecido pelos simpósios MAD, iniciativa de Redzepi sobre sustentabilidade, liderança e o futuro da alimentação.
Apesar da reputação criativa, ex‑integrantes da equipe disseram ao jornal que, entre 2009 e 2017, o chef adotou métodos coercitivos e punitivos. Segundo os relatos, Redzepi teria açoitamentos verbais e físicos na cozinha, incluindo socos e o uso de um garfo de churrasco para espetar funcionários fora da vista dos clientes. Funcionários também relataram ameaças de deportação e humilhações que eram mantidas em segredo por temor de retaliação.
Várias dessas declarações descrevem episódios em que um erro individual resultava em punição coletiva e em situações nas quais a equipe era obrigada a aparentar normalidade diante dos clientes. Fontes consultadas pelo Times relataram que muitos antigos funcionários guardaram silêncio por anos devido ao prestígio e à influência do Noma no setor gastronômico.
Na véspera do anúncio de Redzepi, manifestantes ligados ao grupo trabalhista One Fair Wage e liderados por Jason Ignacio White, ex-chefe de fermentação do Noma, se reuniram em frente ao pop-up em Los Angeles. Eles bateram panelas e exibiram cartazes criticando o restaurante. American Express e a empresa Blackbird retiraram o patrocínio ao pop-up nesta semana, embora muitos clientes que compraram ingressos — ao custo de US$ 1.500 por pessoa — tenham seguido com a reserva; se o evento prosseguir pelos três meses previstos, o Noma pode obter receitas na casa dos milhões de dólares.
Imagem: Divulgação
Redzepi e o Noma publicaram pedidos de desculpas e informaram que medidas formais foram implementadas nos últimos anos, como a criação de um sistema de recursos humanos e o início do pagamento a estagiários em 2022. Ainda assim, manifestantes e alguns ex-funcionários afirmam que o chef não foi efetivamente responsabilizado pelas condutas descritas na reportagem.
Ao se dirigir à equipe no vídeo em que anuncia a saída, Redzepi disse que o restaurante passa a ser responsabilidade dos funcionários e que planeja trabalhar na “próxima fase”, sem detalhar o formato dessa transição ou qual seria seu papel futuro.
O episódio coloca o Noma no centro de um debate sobre práticas laborais na alta gastronomia e sobre como ocorreriam reparação e responsabilização em um setor marcado por relações de poder assimétricas.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6