Desde 2018, um buraco negro supermassivo devorou uma estrela e, quatro anos depois, vem emitindo um jato de energia que aumentou em 50 vezes seu brilho. A descoberta, liderada pela astrofísica Yvette Cendes da Universidade de Oregon, já ocupa lugar entre os eventos mais poderosos já registrados no Universo.

Os detalhes dessa pesquisa estão disponíveis em Buraco negro engole estrela e emite jato mais “poderoso” que a ‘Estrela da Morte’ no Olhar Digital.

Contexto da descoberta

Em setembro de 2018, telescópios ópticos testemunharam um evento de ruptura de maré, quando a gravidade extrema de um buraco negro destruiu uma estrela próxima.

Na época, o fenômeno catalogado como AT2018hyz parecia rotineiro, mas só em 2019 observações em rádio revelaram que o objeto continuou ativo.

Observações iniciais

A equipe de Cendes utilizou radiotelescópios para monitorar o jato unilateral, responsável pelo aumento exponencial do brilho.

Os dados indicadores foram compartilhados em transmissões ao vivo no YouTube do observatório e recebidos por antenas em várias partes do mundo.

Evolução do jato de energia

De 2019 até hoje, o fluxo de rádio cresceu de forma contínua, alcançando um nível 50 vezes mais intenso do que no início das observações.

Imagem: Divulgação

Segundo os cálculos, esse jato pode se tornar tão luminoso quanto as explosões de raios gama mais potentes.

Comparação cósmica e perspectivas futuras

Para ilustrar a magnitude, o fenômeno foi comparado à fictícia Estrela da Morte de Star Wars: o jato emite entre um trilhão e 100 trilhões de vezes mais energia.

Os astrofísicos estimam que o brilho do jato alcançará seu pico máximo por volta de 2027, oferecendo uma oportunidade única para estudos de longo prazo.

Implicações para a astronomia

A descoberta sugere que buracos negros podem exibir comportamentos tardios após rupturas iniciais, simplesmente porque não são monitorados por longos períodos.

Cendes já examina dados antigos em busca de outros casos de “indigestão” cósmica que passaram despercebidos.