CEO com dupla cidadania é detido nos EUA por suposto envio de tecnologia americana ao Irã

Autoridades federais dizem que equipamentos de rede, segurança e criptografia teriam chegado a órgãos nucleares e militares por meio de intermediários

Agentes norte-americanos prenderam na Califórnia Jamshid Ghomi, 63 anos, fundador e executivo da Faraz Pardaz Rayaneh (FPR), empresa de tecnologia com sede em Teerã. A Justiça afirma que ele teria usado a companhia para adquirir equipamentos de origem estadunidense e direcioná-los a clientes iranianos proibidos pelas sanções.

O caso, apresentado como uma acusação formal, envolve dados e movimentações que se estendem por mais de uma década. Ghomi responde a acusações federais que incluem conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

Do comércio eletrônico às transferências milionárias: o que as autoridades apontam

Segundo os promotores, o esquema teria começado em 2011 e se prolongado até 2023. Compras feitas por contas pessoais em plataformas on-line teriam permitido a aquisição de centenas de dispositivos de redes e segurança, que passaram por intermediários nos Emirados Árabes Unidos antes de chegar ao Irã.

Entre 2014 e 2018, as autoridades estimam que mais de 250 toneladas métricas de material foram enviadas por empresas de logística ligadas a operadores em Dubai, numa tentativa de mascarar o destino final das mercadorias.

Investigações apontam que parte dos itens teria sido destinada à Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) e ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas iranianas. Em documentos, a FPR aparece ainda registrada como fornecedora aprovada de algumas entidades entre 2021 e 2022.

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Imagem: Divulgação

Além das supostas violações relacionadas ao comércio, o governo afirma que recursos gerados pelas operações foram transferidos para contas nos Estados Unidos. Relatórios indicam remessas superiores a US$ 15 milhões entre 2011 e 2024, e mais de US$ 7 milhões encaminhados a uma conta usada para financiar um imóvel na Califórnia.

Os investigadores detalham a compra de um terreno em Newport Coast por US$ 4,49 milhões em 2010 e gastos aproximados de US$ 10,49 milhões na construção da residência entre 2010 e 2013. Hoje, o imóvel é estimado em cerca de US$ 35 milhões.

O Departamento de Justiça classifica as acusações como alegações formais; Ghomi mantém a presunção de inocência até eventual condenação. Se for considerado culpado, pode enfrentar pena máxima de 20 anos de prisão federal.