A Meta deve iniciar nesta semana uma nova rodada de demissões que pode atingir cerca de 8 mil funcionários, o equivalente a aproximadamente 10% de sua força de trabalho, enquanto amplia seus investimentos em inteligência artificial. A combinação de cortes e aportes em tecnologia tem gerado apreensão entre empregados atuais e ex-funcionários.

Os cortes desta semana representam uma mudança no tom adotado pelo CEO Mark Zuckerberg após as grandes demissões de 2022 e 2023. Naquele período, a empresa anunciou inicialmente a demissão de 11 mil funcionários — número que depois subiu para 21 mil — e Zuckerberg admitiu em novembro de 2022: “Eu errei nisso e assumo a responsabilidade”. Em 2023, ele descreveu o ano como o “ano da eficiência” na Meta, justificando as medidas como parte de uma reestruturação.

Medidas recentes e contexto

Segundo um memorando interno divulgado em abril, além das demissões a companhia também optou por não preencher cerca de 6 mil vagas abertas. As novas ações se somam à eliminação de cerca de mil postos na divisão Reality Labs em janeiro e a reduções adicionais em março que afetaram centenas de trabalhadores e fornecedores terceirizados ligados à moderação de conteúdo.

Ao mesmo tempo em que reduz sua folha, a Meta elevou a previsão de despesas de capital para 2026 em até US$ 10 bilhões, podendo chegar a US$ 145 bilhões. Em comunicado aos empregados, a empresa afirmou que as demissões “fazem parte do nosso esforço contínuo para administrar a empresa com mais eficiência e nos permitir compensar os outros investimentos que estamos fazendo”.

Ambiente interno e reações

Funcionários relataram um ambiente interno cada vez mais tenso, com temor de novas rodadas de cortes ainda este ano, incluindo possibilidades em agosto e no fim de 2026. A incerteza foi reforçada pela diretora financeira Susan Li durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre, quando afirmou que os executivos ainda “não sabem ao certo qual será o tamanho ideal da empresa no futuro”.

Além das demissões, a Meta lançou a Model Capability Initiative (MCI), ferramenta destinada a coletar dados sobre ações dos funcionários em computadores corporativos, incluindo movimentação do mouse e digitação. Mensagens internas apontaram preocupações com privacidade, riscos de vazamento de dados e relatos de lentidão em máquinas, levando funcionários a organizarem uma petição online pedindo o fim do programa.

Pesquisas de clima apontam piora no sentimento interno: dados da plataforma Blind indicam queda de 25% na avaliação geral da Meta desde o pico no segundo trimestre de 2024 e recuo de 39% na percepção da cultura da empresa no mesmo período.

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Especialistas ouvidos citaram que muitas empresas estão reformulando suas estruturas diante das mudanças provocadas pela IA, e que o uso de demissões relacionadas à tecnologia pode virar mecanismo de pressão interna. Do lado do mercado, os investimentos em IA foram bem recebidos: segundo Umesh Ramakrishnan, diretor de estratégia da Kingsley Gate, investidores veem positivamente a substituição de funções por máquinas.

Dados de monitoramento do setor mostram que quase 110 mil trabalhadores foram demitidos por 137 empresas de tecnologia em 2026, segundo o levantamento Layoffs.fyi; no ano anterior, o total de cortes havia ficado em cerca de 125 mil.

As mudanças na Meta ilustram o confronto entre a expansão de gastos com inteligência artificial e a redução de pessoal, gerando tensão interna e incerteza sobre o futuro da companhia.

Com informações de Olhardigital