Uma pesquisa da Clarify Capital com quase mil funcionários e gestores aponta que a flexibilidade no trabalho deixou de ser um diferencial e se tornou condição essencial para criatividade e desempenho. Segundo o estudo, 50% dos profissionais que seguem jornada tradicional, das 9h às 17h, afirmam que aceitariam receber menos em troca de maior autonomia sobre seus horários.

O levantamento relaciona essa busca por controle de tempo e atenção à manutenção da curiosidade — definida como a capacidade de manter uma mentalidade aberta e imaginativa, que alimenta novas ideias. A pesquisa indica que a autonomia temporal é um componente importante para que o trabalho intelectual prospere.

Descanso também gera resultado

Os dados mostram diferenças na percepção de saúde mental e na pressão por horas extras entre modelos de trabalho. Entre profissionais com horários flexíveis, 67% avaliam sua saúde mental como boa ou muito boa, enquanto esse índice cai para 59% entre aqueles em jornada tradicional. Por outro lado, 25% dos trabalhadores flexíveis relatam sentir pressão para trabalhar mais horas, contra 14% dos que seguem horários convencionais, o que indica que flexibilidade sem limites pode se traduzir em horas extras não contabilizadas.

O estudo destaca que descanso não é apenas inatividade, mas uma infraestrutura que permite recuperação cognitiva e sustenta criatividade e rigor ao longo do tempo.

A liderança decide se a flexibilidade funciona

Os resultados também mostram impacto em desempenho e gestão de pessoas. Entre quem tem flexibilidade, 61% dizem entregar resultados acima do esperado, ante 53% de trabalhadores em jornada tradicional. Além disso, 65% dos gestores afirmam que a flexibilidade melhora a retenção de talentos, e 62% dizem que ela ajuda a atrair profissionais qualificados.

Segundo o levantamento, empresas que adotaram modelos flexíveis e registraram crescimento na receita relatam, conforme gestores entrevistados, um aumento médio de 42% na receita. Esses números sugerem que políticas de flexibilidade são eficazes quando acompanhadas de cultura organizacional que protege períodos de recuperação e de lideranças capazes de confiar e gerir por resultados.

Saiba mais sobre metade dos profissionais aceitaria ganhar menos para ter mais flexibilidade

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A pesquisa da Clarify Capital descreve um cenário em que a autonomia sobre o tempo aparece como combustível da chamada Era da Imaginação, em que criatividade humana e julgamento contextual são ativos estratégicos que complementam automações e inteligência artificial.

As organizações, portanto, enfrentam o desafio de transformar políticas de flexibilidade em práticas que gerem valor, garantindo limites claros para que a liberdade de agenda não se converta em pressão por horas adicionais.

Com informações de Fastcompanybrasil