Transmissão: Record

Relatório da Forbes aponta que o sargaço, alga marinha que tem provocado acúmulo massivo em praias, está sendo reaproveitado no México como um bioinsumo com potencial regenerativo para a agricultura e recuperação de ecossistemas.

Contexto climático e chegada crescente de sargaço

A reportagem destaca que 2026 deve registrar recordes negativos relacionados à crise climática e à escassez hídrica, com temperaturas médias ultrapassando limites críticos e episódios severos de ondas de calor, secas, incêndios florestais, desertificação e perda de corpos d’água. Esses fenômenos, segundo o texto, vêm acompanhados do derretimento acelerado de geleiras, aumento da frequência e intensidade de tempestades e furacões, e deslizamentos com impacto econômico de bilhões de dólares.

Impacto ambiental e aproveitamento

O sargaço é uma macroalga marrom que flutua na superfície do oceano e, em volumes normais, é essencial ao ecossistema marinho como abrigo e fonte alimentar. No entanto, as mudanças climáticas têm provocado chegadas em níveis inéditos às costas, causando transtornos e odores desagradáveis nas praias. Em vez de apenas tratar o fenômeno como um problema sem solução, produtores e pesquisadores vêm testando o uso da biomassa como fertilizante orgânico e bioestimulante.

Composição e benefícios

A alga apresenta alta diversidade de compostos bioativos: carboidratos que correspondem a cerca de 30% a 70% do peso seco, cinzas entre 17% e 35%, proteínas de 8% a 13% e lipídios inferiores a 1,5% até 6,8%. Entre seus componentes estão alginatos, compostos fenólicos com ação antioxidante e minerais como cálcio, potássio e magnésio. A matéria contém ainda açúcares, aminoácidos e estimuladores de crescimento que favorecem a formação de raízes e a resistência das plantas.

Aplicações na agricultura e uso em áreas de lazer

O material vem sendo usado como fertilizante natural para culturas como milho e trigo, com relatos de maior crescimento, ciclos de cultivo reduzidos e melhor permeabilidade hídrica do solo. Além do setor agropecuário, o sargaço pode ser aplicado em campos esportivos, campos de golfe, jardins e áreas verdes, com potencial para reduzir o consumo de água e diminuir a dependência de insumos sintéticos, fertilizantes químicos e defensivos agrícolas.

Imagem: Arkadij Schell/Getty ImagesSargaço se acumulando em praia no México

Resiliência, remediação e formas de processamento

Por suas capacidades de bioabsorção e biofiltragem, a biomassa auxilia na tolerância das plantas a estresses abióticos como salinidade, seca e temperaturas extremas. O sargaço pode ser processado em pó solúvel, desidratado, neutralizado, em pellets, fermentado ou em forma líquida, e também utilizado como biocarvão para filtrar esgoto e recuperar aquíferos e poços afetados por metais pesados e matéria orgânica contaminante. A adoção controlada da prática permitiria regenerar pastagens, manguezais, corais, áreas úmidas e recuperar solos costeiros, além de possibilitar a geração de créditos de carbono estimados em bilhões de dólares.

Segundo a reportagem, o aproveitamento do sargaço constitui uma alternativa integrada e potencialmente disruptiva para um problema que cresce anualmente, transformando uma grande disponibilidade de biomassa em recurso produtivo.

Com informações de Forbes