Em um cenário corporativo onde resiliência e capacidade de adaptação são determinantes, executivos das maiores empresas do mundo reescreveram suas abordagens de gestão. Das técnicas de engenharia de processos ao uso estratégico de dados e inteligência artificial, estas são seis lições extraídas de líderes que moldam o sucesso empresarial hoje.

1. Engenharia de processos e dados no entretenimento (Igor Carvalho — GR6)

No mercado de música urbana da América Latina, Igor Carvalho, CEO da GR6, defende que talento sozinho não sustenta um negócio. Com formação em mecânica de precisão e especialização em processos, ele estruturou a produtora combinando indústria e tecnologia. Carvalho afirma que a competição deixou de ser apenas pelo palco e passou a ser por tráfego; por isso, segundo ele, gestores precisam dominar SEO e projetar jornadas de usuário (UI/UX) eficientes. Para o executivo, o artista é o motor do negócio, mas são os dados que garantem o desempenho competitivo. Carvalho também destaca iniciativas para democratizar a inteligência artificial e ressalta que teoria e prática, o conhecimento de um MBA e a experiência “do asfalto”, devem caminhar juntos.

2. Transformar crise em oportunidade (Jennifer Hyman — Rent The Runway)

Quando a pandemia esvaziou escritórios e comprometeu a demanda, a Rent The Runway enfrentou cancelamentos em massa que ameaçaram seu modelo de assinatura. A CEO Jennifer Hyman aproveitou a paralisação para reestruturar a operação: revisou a política de preços e investiu em inteligência artificial, etiquetas de rádio e automação com robôs em seus centros de distribuição no Texas e em Nova Jersey. Hyman reconhece que esse período de queda foi a oportunidade para ajustar processos que seriam difíceis de mudar em fase de crescimento, e a otimização operacional contribuiu para a empresa chegar ao mercado público, listando-se na Nasdaq.

3. Foco absoluto e a arte de dizer “não” (Daniel Ek — Spotify)

Para manter o Spotify à frente de rivais trilionários como Apple, Amazon e Alphabet, o CEO Daniel Ek atribui o sucesso a uma disciplina de foco extremo no áudio. Ek construiu a estratégia identificando o que a empresa não deve empreender e avaliando cada iniciativa pela sua contribuição à missão principal. Essa clareza atrai também talentos especializados em áudio, que buscam a empresa por sua liderança na área — um contraste, na visão do executivo, com companhias onde a música não é a prioridade central.

4. Seguir as tendências dos usuários (Anjali Sud — Vimeo)

Enquanto atuava como diretora de marketing, Anjali Sud percebeu que o Vimeo não competia eficazmente com serviços de entretenimento como Netflix e Prime Video. Ao analisar o uso da plataforma, ela notou que startups e empresas utilizavam o Vimeo para hospedagem corporativa de vídeos. A partir dessa constatação, Sud reposicionou a empresa do entretenimento para um foco B2B voltado ao Vale do Silício. Tornou-se CEO em 2017 e transformou o Vimeo em uma ferramenta essencial para empreendedores, comparando o papel que a plataforma podia cumprir no vídeo ao que Squarespace e GoDaddy fazem por sites.

5. Deixar os dados guiarem a estratégia (Nate Blecharczyk — Airbnb)

Nos primeiros dias do Airbnb, os fundadores debateram se a prioridade deveria ser atrair mais hóspedes ou conquistar mais anfitriões. Nate Blecharczyk, cofundador e especialista em computação, recorreu à análise dos dados nos mercados iniciais — Nova York, São Francisco e Los Angeles — e concluiu que a oferta impulsionava a demanda. Identificou um ponto de inflexão: atingir 300 imóveis por cidade fazia o mercado crescer de forma autônoma. Com esse objetivo claro, a empresa direcionou esforços para garantir esse patamar nas cidades estratégicas, estratégia que ajudou a transformar o Airbnb na plataforma bilionária que é hoje.

6. Dominar nichos com diferenciais que gigantes não oferecem (Josh Silverman — Etsy)

Josh Silverman, CEO da Etsy, adotou uma postura oposta à competição por preço e escala contra varejistas como Walmart e Amazon. Em vez de correr atrás de logística massiva, a Etsy reforçou o “comércio humano”, apoiando artesãos com ferramentas de inteligência artificial e ciência de dados. Ao oferecer produtos únicos e personalizados — especialmente procurados por consumidores durante a quarentena para tornar casas mais acolhedoras —, a plataforma cresceu fortemente, atingindo mais de US$ 1,7 bilhão em faturamento anual.

Veredito para 2026: as histórias desses líderes evidenciam um padrão recorrente. Decisões baseadas em dados e engenharia de processos, foco intenso para evitar dispersão de esforços, e investimento em capacidades digitais como SEO e IA aparecem como requisitos essenciais — e, muitas vezes, crises globais oferecem as janelas para grandes reinvenções.