TRANSMISSÃO: Disney+ | Band
A série Paradise, cuja segunda temporada está disponível no Disney+ desde fevereiro, apresenta no primeiro episódio uma comunidade inteira instalada no subsolo: um bunker que abriga cerca de 25 mil pessoas e funciona como um ecossistema fechado. A premissa suscitou perguntas sobre até que ponto uma obra de ficção dessa natureza se aproxima de soluções de engenharia reais.
Base técnica e limitações apontadas por especialistas
Pesquisadores consultados pela Virginia Tech afirmam que alguns conceitos exibidos na série têm paralelo em tecnologia e projetos existentes, mas também observam exageros. O professor Ali Mehrizi-Sani, da engenharia elétrica e de computação, diz que a produção parte de princípios aplicáveis, mas vai além das capacidades atuais em vários aspectos.
O professor Nino Ripepi, especialista em engenharia de mineração e materiais, lembra que estruturas subterrâneas habitáveis já foram construídas em diferentes contextos, citando bunkers sob a Casa Branca, a instalação no Greenbrier Resort para membros do Congresso e cidades históricas na Turquia. Ainda assim, ele destaca que empreendimentos desse porte exigiriam décadas de planejamento e recursos financeiros substanciais.
Fontes de energia e autonomia
Segundo análise do Aspectus Group, o suprimento energético seria um dos principais desafios para manter uma cidade subterrânea ativa. Entre as alternativas plausíveis estão a energia geotérmica, útil para eletricidade, aquecimento e refrigeração sem depender da superfície; o uso de petróleo e gás com captura de carbono; a geração a partir de resíduos; e reatores nucleares modulares, cuja maturidade tecnológica é menor.
Os especialistas apontam que, em cenários de catástrofe global, fontes como solar e eólica poderiam não ser confiáveis, o que torna soluções ligadas ao subsolo ou a combustíveis armazenáveis mais relevantes.
Água, ar e infraestrutura crítica
Manter água potável e qualidade do ar em um ambiente fechado requer sistemas de tratamento, filtragem e ventilação robustos. Qualquer contaminação poderia afetar rapidamente a habitabilidade do espaço. Mehrizi-Sani observa que existem instalações militares subterrâneas nos EUA, como Cheyenne Mountain e o Raven Rock Mountain Complex, além de microrredes autossuficientes em bases remotas e submarinos nucleares capazes de operar por 20 a 30 anos sem reabastecimento, o que mostra possibilidades de autonomia em escala menor.
Imagem: Divulgação
Limitações estruturais e operacionais
Do ponto de vista geotécnico, uma cavidade subterrânea ampla e contínua como a mostrada na série seria instável sem reforços estruturais extensivos. Ripepi destaca a necessidade de pilares e sistemas de ancoragem no teto para evitar colapsos e observa que ambientes reais tendem a ser menos organizados e mais sujos do que a ficção retrata. A iluminação provavelmente se basearia em lâmpadas LED de alta eficiência, cujo calor adicional exigiria remoção eficiente para evitar superaquecimento.
Exemplos reais de habitação abaixo da superfície
Há, no entanto, precedentes históricos e contemporâneos de ocupação subterrânea. A cidade turca de Derinkuyu possui 18 níveis de túneis e alcança mais de 85 metros de profundidade, tendo abrigado milhares de pessoas ao longo da história. Em Coober Pedy, na Austrália, uma cidade mineradora com cerca de 2.500 habitantes, grande parte das construções foi desenvolvida no subsolo para escapar do calor; moradias a pelo menos 4 metros de profundidade mantêm temperaturas internas próximas a 23 °C durante o ano.
Esses casos demonstram que viver abaixo da superfície é viável em circunstâncias específicas, mas especialistas afirmam que erguer uma cidade subterrânea totalmente autossuficiente para dezenas de milhares de pessoas ainda exigiria investimentos e soluções técnicas muito além do que é comum hoje.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6