O setor de serviços no Brasil manteve-se estável em junho na comparação com maio e registrou alta de 2,0% em relação a junho de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho superou a mediana de uma pesquisa da Reuters, que previa retração de 0,2% na passagem mensal e crescimento anual de 1,4%. Com isso, o segmento encerrou o segundo trimestre com expansão de 0,4% na comparação com os três meses anteriores, depois de alta de 1,2% em abril e recuo de 0,2% em maio.

Mesmo com a leve recuperação, o volume de serviços permanece 0,3% abaixo do pico histórico, registrado em outubro de 2025. Para o gerente da pesquisa no IBGE, Rodrigo Lobo, o setor mostra uma acomodação preservando-se próximo ao auge da série, sem, por ora, mudança de trajetória.

Entre os ramos, apenas o grupo de informação e comunicação apresentou avanço em junho, com alta de 1,8%, marcando o terceiro resultado positivo consecutivo e acumulando ganho de 3,0% no período.

Os principais impactos negativos no mês vieram do setor de profissionais, administrativos e complementares, que recuou 1,4%. Outros segmentos em queda foram outros serviços (-2,2%), serviços prestados às famílias (-1,2%) e transportes (-0,1%).

No detalhamento dos transportes, o transporte de passageiros caiu 4,0% em junho em relação a maio, enquanto o transporte de cargas registrou leve retração de 0,1%. Segundo Lobo, o aumento nos preços de combustíveis, especialmente do óleo diesel, pressionou o transporte de carga — efeito pontual ligado ao conflito no Oriente Médio. Ele também citou impactos de tarifações dos Estados Unidos sobre algumas empresas, mas avaliou que são efeitos localizados que não explicam o comportamento geral do setor.

Serviços ficam estáveis em junho e surpreendem, mas sinais mostram desaceleração da economia

Imagem: Divulgação

O índice de atividades turísticas apresentou queda de 3,4% em junho frente a maio, o segundo resultado negativo consecutivo, acumulando perdas de 3,8% no período. Esse segmento está 6,2% abaixo do ápice da série, alcançado em dezembro de 2024.

Analistas destacam que, enquanto medidas governamentais de estímulo ao consumo e um mercado de trabalho aquecido dão suporte ao setor, a política monetária mais restritiva tem freado a atividade. A taxa Selic está em 14,0%.

André Valério, economista sênior do Inter, projetou crescimento do PIB de 0,5% no segundo trimestre e afirmou que a tendência de moderação dos dados setoriais sustenta a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) continue calibrando a Selic, a qual, na avaliação dele, deve chegar a 13,25% ao fim de 2026.

Com informações de Forbes