A chamada síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, costuma surgir após episódios de estresse emocional intenso — como término de relacionamento, luto ou conflitos — e provoca sintomas compatíveis com um infarto, como dor torácica e falta de ar. Apesar de, em geral, ser transitória, a condição requer atendimento médico urgente e, em alguns casos, acompanhamento prolongado para reduzir riscos posteriores.

O que é e como ocorre

A cardiomiopatia de Takotsubo é uma forma de insuficiência cardíaca aguda desencadeada, majoritariamente, por uma descarga elevada de hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina. Essa liberação em situações-limite interfere no funcionamento das artérias e do músculo cardíaco, alterando temporariamente o formato e o movimento do ventrículo esquerdo. Em imagens, o órgão pode ficar com aspecto arredondado, semelhante ao de um vaso japonês chamado “takotsubo”, que deu nome à entidade clínica.

Diferença para o infarto

Os sinais iniciais podem ser praticamente idênticos aos de um ataque cardíaco — dor no peito, irradiação para braço ou mandíbula, suor frio, falta de ar e sensação de pressão torácica — motivo pelo qual equipes de emergência tratam o caso como possível infarto até a investigação concluir o contrário. As principais distinções são:

  • No infarto, normalmente há oclusão parcial ou total de uma artéria coronária que compromete o fluxo sanguíneo para uma área do coração.
  • Na cardiomiopatia de Takotsubo, as artérias, via de regra, não apresentam obstruções significativas, mas há perda temporária da força do ventrículo esquerdo.
  • Alterações no eletrocardiograma e em marcadores sanguíneos podem ser semelhantes entre as duas condições, exigindo exames detalhados para diagnóstico definitivo.

Por segurança, qualquer dor torácica súbita deve ser tratada como emergência até que exames esclareçam a causa.

Causas e fatores de risco

O gatilho central é o estresse, seja por eventos emocionais intensos, como desilusões amorosas, conflitos familiares, perdas financeiras, luto ou notícias impactantes, seja por estressores físicos importantes, como cirurgias, infecções graves, crises respiratórias, acidentes ou dor intensa e prolongada. Médicos observam maior ocorrência em mulheres acima de 50 anos, possivelmente relacionada à queda do estrogênio, e em pessoas com histórico de ansiedade, depressão ou estresse crônico.

A presença desses fatores não determina de forma absoluta o desenvolvimento da síndrome, mas cria um terreno mais favorável para uma resposta exagerada do coração. Assim, manejo do estresse, tratamento de transtornos emocionais e hábitos saudáveis podem reduzir essa vulnerabilidade.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico resulta da combinação entre quadro clínico, exames de imagem e avaliação das artérias coronárias. No atendimento emergencial, começa-se por eletrocardiograma e exames de sangue; posteriormente, são solicitados ecocardiograma e, muitas vezes, cateterismo para excluir obstruções coronarianas e avaliar o padrão de contração ventricular.

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O tratamento foca em estabilizar a função cardíaca com medicamentos que auxiliam o bombeamento, controlam a pressão e aliviam a sobrecarga do músculo; reduzir o impacto do estresse por meio de descanso, orientações emocionais e suporte psicológico ou psiquiátrico quando necessário; e monitorar complicações como arritmias, hipotensão, formação de coágulos ou insuficiência cardíaca mais prolongada.

A recuperação costuma ocorrer ao longo de semanas, mas alguns pacientes mantêm sintomas por período maior, demandando acompanhamento cardiológico, ajustes terapêuticos e, em certos casos, reabilitação cardíaca.

Prevenção

Prevenção está ligada ao cuidado com o estresse emocional e físico. Recomendações frequentes incluem manutenção de consultas médicas regulares, prática de atividade física orientada, rotina de sono adequada, técnicas de relaxamento (respiração, meditação, yoga, alongamentos) e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico em casos de ansiedade, depressão ou estresse prolongado. Ao ocorrer um evento impactante, procurar avaliação médica diante de dor torácica, falta de ar ou mal-estar súbito é medida importante para diagnóstico e tratamento precoces, com objetivo de restaurar a função cardíaca e reduzir a chance de recorrência.

Com informações de Correiobraziliense