A SLC Agrícola (SLCE3) afirma que o Brasil vem ocupando posição central no abastecimento agrícola mundial, aproveitando rupturas causadas por guerras e disputas comerciais. A avaliação foi feita por Aurélio Pavinato, presidente-executivo da companhia, em entrevista no programa ExpertTalks Na Mesa com CEOs, da XP, apresentada por Fernando Ferreira, com participação do analista Pedro Fonseca.

Segundo Pavinato, eventos geopolíticos recentes alteraram fluxos comerciais: a invasão da Ucrânia fez do Brasil uma alternativa para exportação de milho; a guerra comercial entre Estados Unidos e China na gestão Trump transformou o país em fornecedor confiável de soja; e o atual conflito no Oriente Médio repete o padrão de deslocamento de demanda. O executivo citou projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que apontam o Brasil como principal responsável pelo crescimento da produção agrícola global nas próximas décadas.

Gargalo logístico

Para o executivo, o principal entrave ao avanço do setor no país é a logística. O custo para transportar produtos da fazenda ao porto é consideravelmente mais alto no Brasil do que na Argentina ou nos Estados Unidos, reduzindo a margem do produtor. Pavinato afirma que reduzir esses custos de frete é a forma mais direta de agregar valor ao agro brasileiro, pois parte desse ganho será refletido no preço recebido no campo.

Ele também comparou preços de terra: no Cerrado, o valor por hectare varia hoje entre US$ 10 mil e US$ 15 mil, ainda abaixo dos cerca de US$ 30 mil praticados em áreas comparáveis nos Estados Unidos e na Argentina. Pavinato avaliou que a convergência desses valores deve ocorrer com melhorias logísticas, ganhos de produtividade e limitação de novas áreas agricultáveis.

Estratégia operacional e financeira

No ano passado, a SLC vendeu R$ 1 bilhão em propriedades rurais para fundos e reinvestiu os recursos em irrigação nas mesmas áreas, transformando terras de sequeiro em unidades capazes de produzir duas safras anuais. De acordo com Pavinato, as lavouras irrigadas poderão alcançar aumento acumulado de produtividade de 220% ao longo dos anos. A companhia estuda replicar a operação em outras regiões.

Em política de distribuição, a SLC mantém desde 2017 o pagamento de 50% do lucro líquido em dividendos. Nos últimos cinco anos, o retorno médio aos acionistas foi de 5,2% ao ano, resultado que garantiu à empresa inclusão no índice de dividendos da B3 (IDIV).

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Irrigação e formação de pessoas

Com a expectativa de El Niño nos próximos meses, que tende a provocar estiagens em áreas como o Nordeste, a SLC ampliou sua área irrigada de 16 mil para 53 mil hectares, com atenção especial a fazendas da Bahia. A fazenda Piratini, com 18 mil hectares, deve estar totalmente irrigada em agosto, medida apontada pela empresa como forma de mitigar efeitos de veranicos sobre a operação.

Pavinato ressaltou também a importância da formação de pessoas para o crescimento sustentado: a SLC evoluiu de 24 mil para 830 mil hectares em três décadas e valoriza promoção interna — oito em cada dez líderes foram preparados dentro da companhia. A empresa oferece estágio, programa de trainee, MBA e até ensino fundamental e médio nas fazendas; mais de 600 funcionários já concluíram cursos nesses programas, e a meta é que todos os colaboradores tenham pelo menos o ensino fundamental completo até 2030.





A notícia foi divulgada com base na entrevista de Aurélio Pavinato no programa ExpertTalks Na Mesa com CEOs, da XP.

Com informações de Infomoney