O derretimento do permafrost no Ártico está liberando microrganismos que, ao decompor matéria orgânica preservada por milênios, produzem metano — um gás de efeito estufa significativamente mais potente que o dióxido de carbono no curto prazo. Especialistas alertam que esse processo pode acelerar o aquecimento global em um ciclo de realimentação difícil de conter.
O que está acontecendo e onde
De acordo com um comunicado divulgado pela EurekAlert, solos que permaneciam congelados há milhares de anos vêm descongelando e liberando vida microbiana que transforma o carbono enterrado em gases. As áreas mais afetadas atualmente incluem extensas regiões da Sibéria e do Alasca, onde o permafrost passa a atuar não mais como sumidouro, mas como fonte ativa de emissões.
Como o processo intensifica o aquecimento
Quando o solo congelado se aquece, microrganismos antigos tornam-se ativos e iniciam a decomposição da matéria orgânica. Esse processo gera metano (CH4) principalmente em condições de baixa oxigenação, além de dióxido de carbono (CO2) por decomposição aeróbica. A presença desses gases na atmosfera cria um efeito estufa adicional que acelera mais descongelamento, configurando um ciclo de feedback climático.
Principais substâncias liberadas
Além do metano e do dióxido de carbono, o derretimento pode liberar óxido nitroso (N2O), outro gás de efeito estufa com potencial de dano à camada de ozônio, e mercúrio metálico, que representa risco à cadeia alimentar aquática e à saúde das populações locais.
Riscos à infraestrutura e modelos climáticos
Cientistas apontam que a velocidade do degelo do permafrost tem superado as projeções mais conservadoras dos modelos climáticos, o que pode demandar revisão de metas de emissões estabelecidas em acordos internacionais. A instabilidade do solo também ameaça cidades e obras construídas sobre permafrost: com o amolecimento, há risco de colapso de prédios, danos a estradas e a equipamentos como oleodutos, com prejuízos econômicos e ambientais.
Imagem: Divulgação
O que pode ser feito
Pesquisadores afirmam que a medida eficaz para conter esse processo é a redução drástica das emissões humanas de gases de efeito estufa, de modo a estabilizar a temperatura global e preservar o permafrost. Paralelamente, há intensificação de monitoramento remoto por satélite e de estudos de campo para identificar pontos de maior emissão e orientar ações de mitigação e adaptação.
O fenômeno representa um desafio adicional na gestão da emergência climática, pois envolve mecanismos naturais já postos em movimento pelo aquecimento provocado por atividades humanas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6