TRANSMISSÃO: Record
O diretor Spike Lee saiu em defesa da cinebiografia “Michael” ao responder críticas sobre a ausência de referências às acusações de abuso sexual infantil contra Michael Jackson. Em entrevista à CNN, Lee argumentou que a opção editorial se relaciona ao período da narrativa escolhido pelos realizadores.
A produção, que registrou a maior estreia já vista em filmes biográficos musicais e faturou US$ 217 milhões globalmente, encerra sua história em 1988, no auge da carreira do cantor. As primeiras acusações públicas de abuso contra Jackson ocorreram apenas em 1993, ponto central na justificativa apresentada por Lee para a exclusão do tema do longa.
Segundo o diretor, críticos que cobram a inclusão das alegações estariam pedindo elementos que não se encaixam na linha do tempo dramatizada pelo filme. Lee destacou também a recepção do público nas salas de cinema ao redor do mundo.
O cineasta tem ligação profissional com Jackson: dirigiu o clipe de “They Don’t Care About Us” e assinou dois documentários sobre o artista, “Bad 25” (2012) e “Michael Jackson’s Journey From Motown to Off the Wall” (2016). Em tom pessoal, declarou sentir falta do próprio Jackson e de Prince, lembrando o vínculo de trabalho e amizade com ambos.
Originalmente, a intenção do estúdio era incluir as acusações na narrativa, mas a produção passou por refilmagens que custaram US$ 15 milhões para remover qualquer menção ao assunto. As mudanças deslocaram a tensão dramática para a relação entre o cantor e seu pai, Joe Jackson, papel interpretado por Colman Domingo no longa.
Imagem: Importante nome do cinema
A decisão provocou reações: James Safechuck, um dos acusadores apresentados no documentário “Leaving Neverland” (HBO, 2019), publicou uma nota apoiando vítimas de abuso infantil durante o lançamento do filme; por sua vez, o diretor Dan Reed, responsável por “Leaving Neverland”, fez declarações contundentes comparando a conduta de Jackson a outros casos de abuso de alto perfil.
Apesar das controvérsias, o desempenho comercial de “Michael” foi expressivo, e a Lionsgate já desenvolve uma sequência. Adam Fogelson, chefe do estúdio, afirmou que “Michael 2” pode começar a ser filmado ainda neste ano e sinalizou a apresentação de Jackson no Super Bowl de 1993 como possível ponto de partida para a continuação. Fogelson também ressaltou que a abordagem das acusações é um tema complexo e que, no momento, não tinha certeza sobre a melhor forma ou o momento adequado para tratá-lo.
Com informações de Vagalume

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6