A NL.AI foi a única empresa do Brasil a participar do Hackathon LLM Law CodeX 2026, promovido pela Escola de Direito da Universidade de Stanford no dia 12 de abril. A startup apresentou um protótipo de ferramenta baseada em inteligência artificial destinada a identificar e mapear esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção.

O sistema demonstrado no evento integra e analisa automaticamente informações provenientes de múltiplas fontes públicas e privadas. No protótipo exibido durante o hackathon, a NL.AI utilizou 19 bases de dados públicas para alimentar os modelos e os mecanismos de cruzamento de informações.

A arquitetura da solução é composta por múltiplos agentes de IA, cada qual com função específica — entre elas, leitura de normas regulatórias, coleta de dados, identificação de padrões e cruzamento de fontes. Segundo a empresa, a tecnologia não se limita a sinalizar uma possível irregularidade: ela também gera explicações sobre a origem do alerta, identifica quais agentes participaram da análise e reúne as evidências que sustentam a conclusão, oferecendo um rastro de auditoria completo.

“Estamos conversando com 3 dos maiores bancos do País. A ideia é testar nossa tecnologia dentro deles. São provas de conceito”, afirmou o pesquisador-chefe de estratégias de IA da NL.AI, Ricardo Fernandes. O foco comercial da startup é o sistema financeiro, e as conversas com instituições bancárias visam validar o uso da plataforma em ambientes reais.

Ricardo Fernandes é pós-doutor em inteligência artificial jurídica no CodeX, com ênfase em tecnologias aplicadas ao Direito. O desenvolvimento da NL.AI é conduzido por Fernandes em parceria com Helano Matos, que possui doutorado pela Universidade de Liverpool e pós-doutorado pelo King’s College London.

A empresa ainda não iniciou operações comerciais, mas prevê que o negócio esteja em funcionamento dentro de 12 meses.

Imagem: Divulgação

Entre as fontes consultadas pela NL.AI no protótipo constam normas e tipologias do Banco Central e do Coaf; cadastros e registros societários da Receita Federal; listas de pessoas politicamente expostas e informações sobre doações eleitorais; diários oficiais e registros de atos governamentais; portais de transparência; processos judiciais relacionados a ilícitos cíveis, administrativos ou criminais; listas internacionais de sanções e cadastros nacionais de empresas punidas; além de dados sobre contratos públicos e transferências de recursos.

O Hackathon Stanford LLM Law integra a programação do CodeX, centro de inovação jurídica da Universidade de Stanford que reúne profissionais e estudantes das áreas de Direito, Engenharia e Negócios para desenvolver aplicações de IA voltadas ao setor jurídico. A NL.AI participou da competição, mas não foi a vencedora.

Com informações de Infomoney