Quem: o navio de expedição MV Hondius, operado pela Oceanwide Expeditions, seus 175 ocupantes — passageiros e tripulação — e autoridades de saúde internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que: um surto associado à espécie andina do hantavírus levou a pelo menos três mortes e a dezenas de casos rastreados até o cruzeiro, provocando evacuações, quarentenas e investigação sobre a origem da infecção.

Quando: a viagem começou em 1º de abril em Ushuaia, na Argentina. O primeiro passageiro relatado que adoeceu e veio a falecer recebeu cuidados em 11 de abril; o capitão anunciou a morte em 12 de abril. Outras ocorrências e evacuações se seguiram durante abril e início de maio. Segundo a OMS, até 6 de maio foram ligados ao navio pelo menos 10 casos — oito confirmados e dois suspeitos — e duas das três mortes já foram atribuídas ao hantavírus, com forte suspeita sobre a terceira.

Onde: a embarcação percorreu locais remotos do Atlântico Sul e subantárticos, incluindo paradas na Geórgia do Sul, Tristan da Cunha, Ilha Nightingale, Santa Helena e paradas em Cabo Verde antes de seguir às Ilhas Canárias.

Como ocorreu e medidas adotadas

Passageiros relatam que a viagem incluía palestras, refeições em bufê e atividades coletivas. Um casal holandês a bordo, Leo e Mirjam Schilperoord‑Huisman, vinha registrando aves pela América do Sul antes de embarcar. Leo adoeceu e morreu em 11 de abril; Mirjam ficou gravemente doente e morreu em 26 de abril em Joanesburgo, onde havia sido transferida para atendimento. Testes posteriores confirmaram hantavírus em Mirjam. Em 2 de maio, uma passageira alemã também morreu a bordo; exames depois confirmaram a presença do mesmo vírus. O médico do navio e outros membros da tripulação apresentaram sinais da infecção.

A Oceanwide informou em 3 de maio que havia “uma situação médica grave” a bordo e aplicou isolamento. Autoridades de saúde nacionais e da OMS enviaram equipes e equipamentos de proteção para o navio. Em Cabo Verde, onde o Hondius atracou em 3 de maio, as autoridades impediram o desembarque inicial. Diante da situação, a Espanha autorizou que o navio seguisse para as Ilhas Canárias por motivos humanitários, decisão que encontrou resistência de líderes locais.

O navio partiu em direção às Ilhas Canárias às 19h15 (Brasília UTC-3) de 6 de maio; transmissão: Band.

Imagem: Divulgação

Após a chegada às Ilhas Canárias, equipes de saúde procederam à evacuação de passageiros e tripulação para voos fretados e instalações de quarentena. Autoridades em diversos países passaram a rastrear contatos: nos Estados Unidos, por exemplo, 18 pessoas do navio foram alojadas em instalações especiais enquanto outras dezenas eram monitoradas por exposição potencial. A OMS destacou que, com base no que se sabe sobre o hantavírus, o risco para o público em geral é baixo, embora a doença possa ser imprevisível e o período de incubação chegar a seis semanas.

Há investigação sobre a origem do surto. Alguns investigavam se visitas a pontos de observação de aves próximos a um lixão em Ushuaia poderiam ter relação, hipótese que autoridades locais qualificaram como desinformação. Pesquisadores argentinos apontaram que os viajantes haviam passado por áreas onde há histórico de infecções por hantavírus.

No retorno, após deixar passageiros e tripulantes sob cuidados e quarentena, o MV Hondius seguiu para a Holanda para procedimentos de desinfecção e investigação sanitária adicional.

Autoridades continuam a rastrear e testar pessoas que podem ter sido expostas, enquanto especialistas monitoram a evolução dos casos ligados ao cruzeiro.

Com informações de Infomoney