Transmissão: Globo

Os olhos dos gatos brilham no escuro graças a uma camada reflexiva localizada atrás da retina, chamada tapetum lucidum, que devolve à retina parte da luz não absorvida, oferecendo ao animal uma segunda oportunidade de captar imagens em ambientes com pouca luminosidade. Essa adaptação é decisiva para a eficiência visual felina durante a noite.

Como funciona na prática

Segundo estudo da Texas Veterinary Medical Foundation, a luz que entra pela pupila atinge inicialmente os fotorreceptores na retina. O tapetum lucidum age como um espelho biológico: reflete a luz remanescente de volta à retina, permitindo nova detecção pelos bastonetes e gerando um sinal visual mais forte ao cérebro. Esse processo aumenta significativamente a sensibilidade em condições de baixa iluminação, possibilitando aos gatos perceber movimentos e contornos com uma quantidade de luz aproximadamente seis vezes menor que a necessária para humanos.

O que é o tapetum lucidum

O tapetum é formado por camadas de células ricas em cristais como a guanina, que criam uma superfície altamente reflexiva. Essa estrutura, comum entre animais de hábitos crepusculares ou noturnos, funciona como um amplificador da luz residual — inclusive a luz das estrelas — e favorece a detecção de presas ao priorizar sensibilidade em detrimento da precisão das cores. Em felinos, o tapetum está posicionado entre a retina e a coroide e chega a consisitr de cerca de 15 camadas de células reflexivas, sendo responsável pelo chamado efeito de “brilho” (eyeshyne) observado em fotos e em iluminação direta.

Estima-se que essa adaptação possa elevar a sensibilidade visual dos gatos em até 44% em comparação com a humana.

Diferenças entre visão humana e felina

A principal distinção reside na composição da retina: os gatos têm maior densidade de bastonetes, sensíveis a luz fraca e a movimentos rápidos, enquanto humanos apresentam mais cones, que favorecem percepção de cores e detalhes sob luz intensa. Além disso, o campo visual dos felinos é ligeiramente mais amplo — cerca de 200 graus contra 180 graus nos humanos — o que, aliado à sensibilidade noturna, amplia a capacidade de detectar perturbações laterais sem grandes movimentos da cabeça.

Imagem: Divulgação

Por que os olhos brilham em fotos e no escuro absoluto

O brilho observado em fotos com flash ou ao iluminar o rosto do gato é o reflexo da luz no tapetum, que retorna em direção à fonte. A cor desse brilho varia conforme pigmentos presentes no olho, como riboflavina ou zinco, e pode aparecer em tons verdes, dourados ou azulados. Contudo, gatos não enxergam em total escuridão: o tapetum necessita de algum fóton disponível — proveniente da lua, estrelas ou luzes distantes — para refletir e amplificar o sinal. Em ambientes de escuridão absoluta, os felinos recorrem a outros sentidos, como vibrissas (bigodes) e audição aguçada, para navegar e localizar obstáculos.

Essas características anatômicas e sensoriais explicam a agilidade e precisão dos gatos em ambientes de pouca luz, sem alterar os dados observados pelos estudos citados.

Com informações de Olhardigital