Um documento apresentado em março de 2025 a um escritório de advocacia em Reno, Nevada, afirma ser o testamento do ex-CEO da Zappos, Tony Hsieh, e desencadeou uma disputa judicial sobre uma herança estimada em US$ 500 milhões. O documento — enviado por correio prioritário cujo selo custou US$ 10,10 — chegou embalado com uma carta que diz tê-lo sido encontrado entre os pertences de um tal Pir Muhammad, supostamente um residente de 91 anos do Paquistão.
Hsieh, que morreu em 2020 aos 46 anos por ferimentos por inalação de fumaça em um incêndio, deixou um espólio inicialmente administrado por seu pai, Richard Hsieh, já que morreu sem cônjuge, filhos ou testamento conhecido. O que surgiu em Reno, contudo, é um testamento datilografado de sete páginas, datado de 13 de março de 2015, com disposições que variam entre legados convencionais e instruções desconcertantes.
Entre as disposições estão doações usuais, como US$ 3 milhões destinados a Harvard, e itens mais enigmáticos: a criação de um fundo denominado Tony Hsieh Lit Wow Irrevocable Trust com uma dotação de US$ 50 milhões, além de participação na venda de quatro imóveis. Não há, até o momento, registro público de fundos com esse nome nem clareza sobre os beneficiários finais.
O testamento nomeia dois advogados de Nevada, Robert Armstrong (McDonald Carano) e Mark E. Ferrario (Greenberg Traurig), como coexecutores. Ambos disseram ter ficado surpresos ao serem indicados. Em junho, eles apresentaram petição em tribunal para validar o documento e destituir Richard Hsieh como administrador do espólio.
O documento chegou acompanhado da indicação de que teria sido entregue por um homem identificado nos autos como Kashif Singh, descrito como neto de Pir Muhammad; desde março de 2025, não há sinais públicos desses remetentes. As quatro testemunhas que supostamente assinaram o testamento — Meer Gohram, William Khatt, Ishrat Daud e Nayab Shah — não foram localizadas, e em alguns casos a investigação sugere que podem ser fictícias.
Em resposta, os advogados de Richard Hsieh classificaram o documento como uma fraude em petição apresentada ao tribunal. Peritos contratados pelo espólio relataram indícios de falsificação: um especialista em caligrafia concluiu que a assinatura seria falsa; um professor de linguística de Cambridge apontou que o padrão linguístico do texto é mais compatível com variedades do inglês do sul da Ásia; e há erro ortográfico no nome do meio de Hsieh (o correto é Chia-Hua).
A juíza Gloria Sturman, do 8º Tribunal Distrital Judicial de Las Vegas, descreveu o testamento como “simplesmente estranho”, mas observou que características incomuns não impedem necessariamente a validade legal do documento. Em janeiro, ela determinou que a única forma de resolver a controvérsia seria por meio de uma contestação de testamento, abrindo caminho para um julgamento completo.
O testamento contém uma cláusula de “não contestação” que condiciona a renúncia de partes da família Hsieh a aceitar suas disposições: caso questionem o documento, os pais e os irmãos Andrew e David Hsieh perderiam qualquer herança prevista. A cláusula, porém, não intimidou a família, que segue combatendo a validade do documento.
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O caso suscitou ainda buscas por registros e provas: tentativas de localizar o suposto fundo irrevogável e verificação de endereços usados no envio do testamento não produziram confirmações. Um dos endereços remetentes associados aos envios foi 1621 Central Ave., Cheyenne, Wyoming — um local conhecido por serviços de correspondência para empresas — e outro indicava um anexo do próprio tribunal; o carimbo postal do envelope veio de Fairless Hills, Pensilvânia.
Além da disputa sobre a autenticidade do documento, os advogados já alertaram para o custo financeiro do litígio. Em janeiro, Sturman nomeou Armstrong e Ferrario administradores especiais do espólio, autorizando que apresentem honorários ao juiz, que poderão ser pagos pelo patrimônio de Hsieh. O processo pode se arrastar por anos e elevar substancialmente os custos legais, como ocorreu em litígios testamentários históricos.
Tony Hsieh era conhecido por projetos e comportamentos pouco convencionais: líder da Zappos, vendeu a empresa à Amazon por US$ 1,2 bilhão e investiu cerca de US$ 350 milhões no Downtown Project em Las Vegas. Nos últimos anos de vida, ao que consta nos autos e em relatos biográficos, ele desenvolveu projetos utópicos, passou por episódios de uso de drogas e mostrou condutas que levaram peritos a constatar psicose induzida por drogas nos meses finais de sua vida.
Com a contestação já autorizada pelo tribunal, a disputa pela validade do testamento segue para análise judicial completa, enquanto o espólio continua a administrar vendas de ativos e a lidar com credores e obrigações fiscais.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6