Por Marcelo Affonso, colunista Fitness Brasil — 8/7/2026
A resposta sobre qual método é superior — treino contínuo ou treino intervalado — não é direta. Segundo Marcelo Affonso, não há um “melhor” absoluto: a escolha deve considerar a intensidade fisiológica desejada, a fase e o período da periodização, o nível de aptidão do praticante e a especificidade do esporte.
Affonso usa a analogia do paradoxo de Buridan para ilustrar a indecisão de alguns treinadores entre os métodos. Ele alerta que muitos profissionais reduzem a discussão ao que chama de “Potência do Esforço” e equivocadamente assumem que o treino intervalado é sempre mais intenso que o contínuo. Esse raciocínio pode gerar falhas na prescrição.
O autor destaca dois tipos de erro comuns no planejamento do treinamento: erros de quantificação — escolha inadequada da dose de treino (volume e potência fisiológica) — e erros de distribuição — organização inadequada dos estímulos ao longo do macrociclo, mesociclo e microciclo. Ambos podem provocar estagnação, fadiga exagerada ou risco de lesões.
Affonso afirma que relacionar rigidamente métodos de treino a sistemas energéticos também é equivocado. Não necessariamente o contínuo recai apenas sobre o sistema aeróbio, nem o intervalado sobre os sistemas anaeróbios. Ele propõe o conceito de “espectro específico da duração da intensidade”: combinações diferentes de volume, distância, ritmo e intervalo podem produzir respostas semelhantes sobre métricas como VO2 máximo ou capacidade aeróbia.
O autor observa que formatos variados — contínuo linear, contínuo crescente, contínuo decrescente, contínuo variável, intermitente, intervalado fracionado ou blocado — podem gerar adaptações parecidas quando executados em zonas fisiológicas próximas a pontos âncora como Potência Crítica (CP) ou Limiar Anaeróbio (LV2). A duração e o tipo de pausa (micro ou macro, ativa ou passiva) e o controle do intervalo (tempo fixo ou recuperação da frequência cardíaca) são decisões centrais para a efetividade do treino intervalado.
Imagem: Strong tattooed bodybuilder working out with heavy dumbbells at the gym
Affonso reforça que a intensidade fisiológica é um produto da carga externa escolhida e da combinação dos componentes do treino; portanto, o ritmo/velocidade resultante determinará as respostas agudas e adaptações crônicas. Ele também questiona mitos sobre segurança: treinos contínuos nem sempre são automaticamente menos arriscados que intervalados — exemplifica com o comparativo entre correr 30 minutos a 8,0 km/h e realizar 10 séries de 3 minutos na mesma velocidade com 1 minuto de pausa passiva.
Para o autor, o caminho é aprofundar a base teórica sobre respostas fisiológicas e ajustar as combinações de componentes do treino à experiência e à observação contínua do atleta, garantindo prescrições mais precisas dentro da periodização.
MARCELO AFFONSO DE CARVALHO – CREF 000151 G/BA
Com informações de Fitnessbrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6