O setor de turismo espacial enfrenta um revés que coloca em dúvida seu crescimento comercial. Em janeiro, a Blue Origin anunciou a suspensão dos voos turísticos por pelo menos dois anos, enquanto a Virgin Galactic não realiza lançamentos desde junho de 2024, deixando clientes, investidores e operadores em compasso de espera.
Ron Rosano, administrador de imóveis de 65 anos, de São Francisco, que já fez um voo suborbital com a Virgin Galactic em 2023, havia planejado viajar a bordo do foguete New Shepard, da Blue Origin. Após a paralisação, ele mudou os planos. “Eu tinha imaginado um cenário bem grande do que isso poderia significar para mim”, disse Rosano. “Ver a Terra daquela perspectiva: é algo que te deixa humilde. É transformador.”
Quem e o que
A Virgin Galactic, de Richard Branson, enviou 31 passageiros ao espaço desde o início de suas operações comerciais. A Blue Origin realizou 98 voos com passageiros (seis pessoas repetiram a viagem). A indústria, contudo, não conseguiu estabelecer uma demanda recorrente e sustentada pelo serviço.
Dana Weigel, gerente do programa da Estação Espacial Internacional na NASA, avaliou em apresentação em Washington, no dia 24 de março, que “o turismo não se concretizou de fato como um mercado. Certamente tivemos várias missões patrocinadas por turistas, mas elas foram limitadas, e não vimos uma demanda recorrente por esse tipo de voo”.
Por que e como
Analistas apontam dois obstáculos centrais: escala e custo. Eric Zhu, analista de aeroespacial e defesa da Bloomberg Intelligence, afirmou que “o problema fundamental é escala e custo” e destacou que o setor mira uma fatia muito restrita de indivíduos de altíssimo patrimônio, “mas nem mesmo esse grupo gera negócios recorrentes”.
O desempenho financeiro e de mercado reflete a pressão: as ações da Virgin Galactic caíram mais de 98% desde sua estreia em outubro de 2019, após a fusão com uma empresa já listada. A empresa divulgará resultados do quarto trimestre e do ano completo de 2025 em 30 de março.
Reações e perspectivas
Richard Branson afirmou, em 4 de março durante uma conferência espacial em Londres, que “o lançamento espacial ainda este ano será realmente importante, especialmente agora que a Blue Origin parece ter saído de cena no envio de pessoas ao espaço”.
A Blue Origin, por sua vez, não declarou o fim definitivo do turismo espacial. Dave Limp, CEO da companhia, disse em 17 de fevereiro, na Defense Tech Summit em West Palm Beach, Flórida: “Acho que provavelmente voltaremos a esse negócio, mas, neste momento, faz mais sentido focar na Lua.” A empresa encaminhou um comunicado à imprensa sobre a pausa do programa New Shepard quando procurada.
Imagem: Divulgação
No mercado de passagens, a Virgin Galactic já havia cobrado cerca de US$ 600 mil por assento na nova nave. Os preços praticados pela Blue Origin não são públicos; Craig Curran, presidente do DePrez Group of Travel Companies, em Rochester (Nova York), estimou entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões por bilhete.
Concorrência internacional e possível retomada
Grupos chineses anunciaram planos de entrar no segmento. A Beijing Interstellor Human Spaceflight Technology Co. tem intenção de levar turistas ao espaço em 2028 por 3 milhões de yuans (cerca de US$ 430 mil), enquanto a CAS Space Technology Co. projeta voos tripulados turísticos até 2029. “Elas estão sinalizando ‘vamos competir’”, disse Rachel Fu, professora da Universidade da Flórida.
Fu acrescentou que a chegada da Starship, da SpaceX, pode alterar o cenário: a nave pode reduzir em até 90% o custo de colocar uma pessoa em órbita, segundo sua avaliação. Para ela, “o turismo espacial nunca foi pensado para permanecer um produto de luxo de nicho” e o grupo inicial de clientes pode servir como ponte financeira e tecnológica para ampliar acesso e atividade comercial além da Terra.
Historicamente, o primeiro turista espacial foi Dennis Tito, em 2001, a bordo de uma Soyuz. Foguetes russos levaram nove passageiros comerciais ao espaço até o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando os voos cessaram. Entre os voos controversos recentes está uma missão exclusivamente feminina que contou com a cantora Katy Perry, a jornalista Gayle King e Lauren Sánchez Bezos, citada no contexto das viagens comerciais mais recentes.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6