A Polícia Federal informou que, em 2025, 42,5% das tentativas de fraude financeira no Brasil envolveram ferramentas de inteligência artificial. Entre 2024 e 2025, o uso de vídeos e áudios falsos gerados por IA — os chamados deepfakes — cresceu 830%, colocando o país à frente na América Latina nesse tipo de crime.

Dados oficiais mostram que, entre julho de 2025 e abril de 2026, golpes direcionados a bancos e provedores de infraestrutura do sistema financeiro causaram mais de R$ 1,8 bilhão em perdas. No acumulado do ano anterior, ataques cibernéticos provocaram R$ 126 bilhões em prejuízos para empresas vítimas de crimes digitais, segundo relatório da Fortinet FortiGuard Labs.

Como os golpes têm sido aplicados

Cada vez mais, criminosos recorrem a bots, biometrias falsas e mensagens com malware para invadir sistemas e enganar usuários. A Polícia Federal relata o emprego rotineiro de deepfakes de voz e vídeo: golpistas extraem gravações de familiares em redes sociais, treinam modelos de IA e ligam para as vítimas exigindo transferência por Pix sob o pretexto de acidente, sequestro relâmpago ou suposta intervenção policial.

Os roteiros passam a ser planejados para explorar reações emocionais e reduzir suspeitas. Vídeos falsos com personalidades públicas e influenciadores também são utilizados para promover investimentos fraudulentos, plataformas de apostas e esquemas de “ganhos rápidos”.

Formas específicas citadas pelas autoridades incluem os golpes conhecidos como “conta segura” — em que o criminoso finge ser autoridade policial e convence a vítima a transferir valores para uma conta supostamente protegida — e a “falsa central”, em que o golpista se faz passar por atendente do banco e solicita instalação de aplicativos remotos, senhas e autorizações de transações, frequentemente envolvendo Pix.

Técnicas e impacto

Empresas de segurança apontam que fraudes bancárias aumentaram 220% no primeiro semestre de 2025 em relação ao semestre anterior, segundo a BioCatch. O setor financeiro concentrou 54,3% das tentativas de golpes bloqueadas, com bancos e emissores de cartão na linha de frente. Só os casos envolvendo Pix chegaram a cerca de 28 milhões em 2025, com R$ 2,7 bilhões em prejuízos acumulados em dois anos.

Grandes modelos de linguagem (LLMs) e ferramentas de IA permitem a produção em massa de e-mails, SMS, páginas falsas e scripts de atendimento com texto praticamente impecável. A IA também é usada para cruzar dados públicos — gênero, faixa etária e hábitos de consumo — e para criar identidades sintéticas, incluindo documentos falsos capazes de abrir contas e contratar empréstimos em nome de terceiros.

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Resposta de instituições e reguladores

Diante da escalada, o Banco Central publicou em dezembro de 2025 as resoluções CMN 5.274 e BCB 538, que colocam a Inteligência de Ameaças Cibernéticas entre as obrigações das instituições financeiras. Desde 1º de março de 2026, bancos, fintechs, cooperativas e outras entidades autorizadas passaram a ser obrigados a estruturar essa inteligência, fortalecer a governança de segurança digital e melhorar a gestão de riscos em sistemas de pagamento como o Pix, com monitoramento da dark web, detecção de vazamentos e relatórios anuais ao BC.

Instituições privadas também elevam investimentos em defesa digital. A Febraban aponta que hoje os bancos destinam cerca de 10% do orçamento de TI a segurança cibernética. O Itaú declarou redução de quase 50% nas tentativas de fraude após integrar modelos de IA mais avançados. Ferramentas como biometria comportamental — que analisa padrão de toque, posição do aparelho e hábitos do usuário — são usadas para identificar transações atípicas e bloquear operações suspeitas.

Em âmbito internacional, autoridades dos EUA demonstraram preocupação com o avanço dos modelos de IA. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, se reuniram com o setor financeiro no fim de abril para discutir medidas de prevenção após o lançamento de um novo modelo de IA pela Anthropic. Bessent afirmou à FoxNews em 3 de abril que houve uma mudança significativa no poder de grandes modelos de linguagem, observação que destaca a ampliação do risco em escala global.

Na prática, a lista de ameaças combina malware, ataques a certificados digitais, invasões a sistemas fiscais e fraudes altamente personalizadas, muitas vezes potencializadas por IA generativa e agentes autônomos.

Com informações de Investnews