Celular ao volante lidera temores dos motoristas brasileiros — e revela uma contradição inquietante

Levantamento da Continental coloca smartphone como principal risco nas estradas

Uma pesquisa recente da Continental Pneus mostra que a maior preocupação dos condutores não é o excesso de velocidade nem a imprudência alheia: é o uso do celular ao volante. Cerca de 35% dos entrevistados apontaram o smartphone como a ameaça mais imediata à segurança nas vias.

Motorista segurando celular ao volante

Contradições, números e o que muda na fiscalização

Outros riscos citados ficaram atrás: distração geral marcou 19%, excesso de velocidade 17% e atitudes perigosas de terceiros 15%. Chama atenção a baixa menção a falhas mecânicas e manutenção preventiva — juntas somaram apenas 4% das respostas, um sinal de que cuidados com o veículo podem estar sendo subestimados.

O levantamento também expôs um paradoxo de comportamento. Apesar de reconhecerem perigos externos, 93% dos participantes se consideram condutores seguros ou muito seguros. Ao mesmo tempo, 60% afirmaram percorrer mais de 200 km por semana — uma rotina que amplia a exposição a riscos quando combinada com essa confiança.

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

No plano legal, o Código de Trânsito Brasileiro enquadra o uso do celular como infração gravíssima, com consequente pontuação na carteira e penalidades associadas. Nos últimos meses a fiscalização tem registrado aumento nas autuações por uso do aparelho, reflexo tanto de ações de controle quanto de maior atenção pública ao problema.





Os resultados da pesquisa trazem à tona mais do que estatísticas: apontam para mudanças de percepção e para desafios práticos na gestão da segurança viária. A prioridade dada ao celular redesenha o debate sobre onde concentrar atenção e recursos — e mantém o tema em destaque para autoridades, empresas e sociedade.