Pesquisadoras da Universidade de Macau afirmam que o hábito de assistir a vídeos curtos em aparelhos móveis, conhecido como “scrolling”, tem efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo de crianças. O alerta consta em trabalhos liderados por Wang Wei e Anise Wu Man Sze e foi divulgado em 16 de fevereiro de 2026.
Segundo as autoras, o consumo excessivo desses conteúdos está ligado à falta de concentração, à ansiedade social e a um sentimento de insegurança entre crianças, além de provocar queda no desempenho e no engajamento escolar. As pesquisadoras detalharam suas conclusões em entrevista à Agência Lusa.
A armadilha do algoritmo
Wang Wei afirma que o design das plataformas de vídeos curtos é especialmente prejudicial para o público infantil. A natureza rápida e altamente estimulante desse formato, segundo ela, concorre com atividades offline e reduz o interesse por tarefas escolares. O problema estaria na atuação de algoritmos personalizados, que passam a satisfazer necessidades psicológicas que deveriam ser atendidas no mundo real, favorecendo o uso patológico e um comportamento de dependência.
Superestimulação e fuga da realidade
Para Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Universidade de Macau, a superestimulação provocada por vídeos curtos interfere no desenvolvimento cognitivo saudável das crianças. Ela aponta que o acesso fácil e gratuito a esses conteúdos funciona, muitas vezes, como uma forma de fuga de realidades desagradáveis, pressões cotidianas ou conflitos pessoais.
As pesquisadoras também destacam fatores que podem contribuir para uma eventual dependência, como estresse diário, ambiente familiar e predisposição genética. A dependência costuma se manifestar quando o uso passa a comprometer pilares básicos da saúde, entre os quais:
- Negligência do sono e do descanso;
- Sacrifício de momentos de convivência em família;
- Uso em momentos inadequados, como durante aulas.
Caminhos para a solução
Wang Wei ressalta que a solução não pode se resumir à retirada abrupta dos aparelhos. Ela defende o cultivo da autorregulação e a oferta de suporte emocional no ambiente offline. Entre as estratégias apontadas está o ensino de técnicas para gerir o tempo de tela, em vez de apenas impor proibições.
As conclusões das pesquisadoras indicam a necessidade de políticas e práticas educativas que considerem os efeitos dos formatos digitais rápidos sobre a saúde mental e o rendimento escolar infantil.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6