Uma investigação do The New York Times identificou uma onda de conteúdos fabricados por inteligência artificial nas redes sociais durante as primeiras semanas do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Vídeos com explosões grandiosas e imagens de tropas inexistentes, que nunca ocorreram na realidade, atingiram milhões de visualizações em plataformas como X, TikTok e Facebook.
O que está sendo divulgado
Ao contrário das filmagens de combate reais, frequentemente feitas à distância e em condições de baixa luminosidade, as produções geradas por IA têm aparência semelhante a cenas de cinema de alto orçamento. Especialistas ouvidos pela apuração relatam cenas com nuvens de cogumelo exageradas e mísseis hipersônicos detalhados, criadas para aumentar o alcance e o compartilhamento nas redes.
Casos de destaque
Um exemplo de impacto significativo envolveu o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln. Depois que o Irã sugeriu ter atacado a embarcação, imagens produzidas por IA mostrando o navio em chamas viralizaram. O governo dos Estados Unidos precisou desmentir as publicações e informou que o navio permanecia intacto.
Uso coordenado e objetivos
Segundo um estudo da empresa de inteligência Cyabra, grande parte desse material falso favorece narrativas pró-Irã, funcionando como uma arma informativa para exibir força militar e minar a resistência pública ao conflito. Marc Owen Jones, professor associado da Northwestern University no Catar, disse à reportagem que provavelmente está ocorrendo agora uma quantidade sem precedentes de conteúdo relacionado à IA, e que simulações de destruição de cidades aliadas aos americanos parecem fazer parte da estratégia iraniana para aumentar o custo psicológico da guerra.
Ferramentas, detecção e resposta das plataformas
Ferramentas acessíveis, como o gerador de vídeos Sora, da OpenAI, reduziram o custo e a complexidade de produzir esse tipo de simulação. Embora muitos arquivos tragam marcas d’água invisíveis, elas podem ser removidas ou camufladas antes da publicação. A rede social X anunciou que suspenderá por 90 dias a monetização de contas que postarem conteúdo de conflito armado gerado por IA sem a devida rotulagem.
Imagem: Divulgação
Analistas, porém, alertam que muitas contas vinculadas a campanhas de influência estrangeira não têm como objetivo receber pagamentos, mas sim difundir mensagens, o que torna a IA uma ferramenta efetiva de guerra de informação. A CNN divulgou orientações para ajudar usuários a reconhecer vídeos gerados por IA e evitar compartilhamentos que possam ampliar a desinformação.
As investigações seguem apontando para a ampliação do uso de técnicas sintéticas no ambiente digital e para os desafios de verificação imediata em situações de conflito.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6