A WeWork retomou a geração de caixa e ajustou sua estratégia de expansão após pedir recuperação judicial nos Estados Unidos em novembro de 2023. A empresa registra, em 2026, uma ocupação média global de 80%, valor que está a apenas 5% do nível considerado ideal para o negócio.

O pedido de Chapter 11, quando a empresa declarou quase US$ 19 bilhões em dívidas, ocorreu após a pandemia forçar o fechamento de escritórios e a adoção de políticas de home office em diversas regiões. A reestruturação permitiu à WeWork renegociar contratos com proprietários de imóveis e sair de mais de 200 prédios de padrão B ao redor do mundo, concentrando-se em imóveis de padrão A, segundo Claudio Hidalgo, vice-presidente da WeWork na América.

Executivos da companhia admitem que a expansão acelerada antes da crise prejudicou a rentabilidade. “Hoje não tem um prédio sustentando o outro. Todos tem profitability”, afirmou Diego Kexel, gerente geral da WeWork para a América Latina. A empresa afirma estar presente em 31 países e operar em mais de 600 prédios globalmente.

Recuperação da demanda e faturamento

A retomada da ocupação seguiu um padrão observado desde 2019: a taxa estava em 80% antes da pandemia, caiu para cerca de 50% em 2020, subiu para 60% em 2021 e chegou a 75% em 2022. A WeWork destaca que, por ter presença antecipada em países asiáticos, pôde acompanhar tendências com antecedência às demais regiões. Em entrevista ao New York Post, Peter Greenspan, head global de Real Estate da WeWork, informou que a receita global chegou a US$ 2,3 bilhões.

A companhia confirmou um aumento de 20% na receita da América Latina em relação a 2024, sem detalhar o montante exato. “O que eu posso dizer é que hoje temos uma operação sólida e rentável, que gera caixa – algo que nunca antes tinha acontecido”, disse Hidalgo.

Posição financeira na América Latina e planos de expansão

Em nota, a WeWork informou que a operação na América Latina “não tem dívida” e que “Hoje a região está integrada à estrutura global da WeWork , o que nos permite manter uma posição financeira sólida para continuar a crescer na região”. Apesar da melhora operacional, a empresa diz não ter planos de ampliar o portfólio até pelo menos 2028, preferindo manter a ocupação atual. Hidalgo afirmou que a expansão precedente foi excessiva e que a companhia não retornará à classe B de imóveis; novas locações só serão consideradas quando houver demanda clara de clientes e acordo com proprietários.

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No Brasil

No mercado brasileiro, Beatriz Kawakami, head de Sales, descreve a operação como estável e lucrativa. Nos últimos dois anos, a prioridade foi assegurar “preços saudáveis, saúde financeira e estabilidade” nas unidades existentes. Em São Paulo, a procura orgânica tem sido a principal fonte de novos contratos. Em cidades menores, como Belo Horizonte e Porto Alegre, a empresa ainda trabalha para mudar a percepção associada ao modelo de coworking, aprofundando relacionamento com brokers e investindo em awareness da marca.

O cenário imobiliário B2B também melhora: levantamentos divulgados na imprensa indicam que a vacância de prédios comerciais de alto padrão em São Paulo caiu de cerca de 20% no fim de 2024 para aproximadamente 13%, segundo JLL e Binswanger Brazil. A WeWork afirma que a ocupação média em seus espaços na América Latina também gira em torno de 80%, considerando mercados como México, Chile, Colômbia, Peru e Argentina.

A companhia segue com cautela: pode atender oportunidades pontuais em que já exista um cliente e o proprietário do imóvel, mas não pretende retomar o ritmo de expansão acelerado que culminou no pedido de recuperação judicial.

Com informações de Infomoney