Realizada em 1º de fevereiro no Crypto.com Arena, em Los Angeles, a cerimônia do Grammy 2026 foi marcada por discursos e performances com forte viés político, transformando a “maior noite da música” em um palco de protesto contra o ex-presidente Donald Trump e a agência de imigração dos Estados Unidos (ICE).

Em seu sexto e último ano como apresentador, o humorista Trevor Noah deixou de lado a neutralidade já no monólogo de abertura. Ele ironizou a ausência da rapper Nicki Minaj, que declarou apoio ao movimento Make America Great Again (MAGA) e ao ex-presidente Trump. “A Nicki Minaj não está aqui. Ela ainda está na Casa Branca com o Donald Trump, discutindo assuntos muito importantes”, brincou Noah antes de imitar o ex-presidente em uma paródia do hit “WAP”, de Cardi B.

Bad Bunny e Billie Eilish levam o protesto ao palco

O papel de manifestantes foi assumido ainda pelos vencedores da noite. Sob aplausos, Bad Bunny recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana por “Debí Tirar Más Fotos” e aproveitou o discurso para pedir: “Fora ICE! Não somos selvagens, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos. Se formos lutar, que seja com amor.”

Logo em seguida, Billie Eilish, premiada com Canção do Ano por “Wildflower”, reforçou a crítica à política de deportação. “Honestamente, ninguém é ilegal numa terra roubada. Eu sinto esperança nesta sala… Foda-se o ICE”, declarou a cantora visivelmente emocionada.

Clima de tensão e humor geopolítico

Em um momento de descontração, Trevor Noah convidou Bad Bunny ao palco para comentar sobre refúgio político em Porto Rico. “Se as coisas piorarem, posso me proteger com você em Porto Rico?”, perguntou o apresentador. O artista respondeu: “Você sabe que Porto Rico também faz parte dos Estados Unidos, certo?”, o que gerou risos e destacou a confusão em torno do status do território.

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Protestos na passarela e destaques musicais

No tapete vermelho, artistas como Kehlani e Justin Bieber usaram broches com a frase “ICE OUT” em apoio às críticas ao órgão de imigração. Apesar da forte presença política, a parte musical manteve seus destaques: Kendrick Lamar liderou com nove indicações, Lady Gaga emocionou ao apresentar “Abracadabra” e Sabrina Carpenter celebrou o sucesso de “Man’s Best Friend”.

Ao fim da noite, ficou claro que, em 2026, o verdadeiro prêmio no Grammy foi a coragem de usar o evento para levantar questões sociais e políticas.

Com informações de Popnow