Quem: pesquisadores publicados no Journal of Personality and Social Psychology.

O que: um estudo revelou que candidatos percebidos como “altamente capazes”, com grande experiência ou com qualificações além do exigido para a vaga têm menor probabilidade de serem contratados do que concorrentes com perfil menos avançado, mesmo quando todos os demais fatores são iguais.

Quando e onde: pesquisa divulgada na revista científica Journal of Personality and Social Psychology; a análise foi citada em reportagem da Fastcompanybrasil.

Motivos do viés

Por que: os recrutadores tendem a ver candidatos “qualificados demais” como um risco. Segundo os autores do estudo, a desconfiança não se refere a uma falha concreta nas competências, mas ao que esses profissionais poderiam fazer no futuro: sair cedo, exigir salário maior, demonstrar arrogância, desestabilizar a hierarquia ou se entediar e abandonar a vaga. Dessa forma, empregadores preferem o caminho de menor resistência e deixam passar candidatos mais capacitados por temerem suas motivações.

Além disso, o rótulo de “qualificado demais” tem sido usado para mascarar preconceitos mais profundos — por exemplo, contra a idade, contra formações acadêmicas específicas ou contra quem, na visão do recrutador, poderia não se encaixar na hierarquia da empresa. Essas preocupações são descritas como emocionais, próximas ao medo e ao desejo por estabilidade.

Como reverter a percepção

O que fazer: o estudo identificou que o viés em relação a candidatos altamente capacitados desaparece quando eles adotam três atitudes observáveis:

Imagem: DNY59 via Getty Images

  • alto comprometimento com a empresa e com a função;
  • alinhamento com a cultura e os valores organizacionais;
  • aspiração clara pela vaga em questão, e não por qualquer oportunidade.

Em termos práticos, os pesquisadores recomendam que profissionais experientes trabalhem três frentes para mudar a percepção do empregador: preparação, posicionamento e linguagem. A preparação exige pesquisa sobre a empresa e motivo específico para a candidatura; o posicionamento precisa enfatizar intenção de permanência e contribuição; e a linguagem deve focar no interesse pelo que virá a ser feito na nova função, em vez de repetir apenas realizações passadas.

Formulações como “já tenho muita experiência nessa área” ou “já fiz isso antes” podem transmitir neutralidade — ou seja, competência sem lealdade. Para reduzir o rótulo de risco, é preciso demonstrar compromisso concreto: afirmar que se vê na empresa, disposto a evoluir com a equipe e disposto a permanecer e contribuir a longo prazo.

Os sistemas de contratação atuais, concluem os pesquisadores, privilegiam não só habilidades técnicas, mas também sinais de comprometimento. Assim, candidatos com longos currículos podem superar o viés ao tornar mais críveis novas suposições sobre suas intenções profissionais.

Com informações de Fastcompanybrasil