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O mercado imobiliário brasileiro registrou em 2025 níveis históricos de lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, mesmo em um cenário de juros elevados, segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025 divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) nesta segunda-feira (23).

No acumulado do ano foram lançadas 453.005 unidades residenciais, alta de 10,6% frente a 2024, e o Valor Geral Lançado (VGL) totalizou R$ 292,3 bilhões. A pesquisa monitorou empreendimentos em 221 cidades do país.

As vendas também bateram recorde. No 4º trimestre foram comercializadas 109 mil unidades — o maior volume trimestral já registrado — e, no ano, as vendas somaram 426.260 unidades, aumento de 5,4% em relação a 2024. Em termos de valor, o setor movimentou R$ 67 bilhões no 4º trimestre e o Valor Geral de Vendas (VGV) anual alcançou R$ 264,2 bilhões, alta de 3,5%.

Distribuição regional e oferta

No acumulado de 12 meses, o Sudeste liderou as vendas com 220.087 unidades, seguido pelo Sul (89.769), Nordeste (80.111), Centro-Oeste (23.540) e Norte (12.753). Ao fim do 4º trimestre de 2025, a oferta final de unidades residenciais verticais disponíveis era de 347.013 imóveis, crescimento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024 — o maior patamar desde o 4º trimestre de 2023.

Apesar do aumento do estoque, o tempo de escoamento da oferta ficou em 9,8 meses no 4º trimestre, indicador que estima quantos meses seriam necessários para vender o estoque existente ao ritmo atual. Para Fábio Tadeu Araújo, diretor-sócio da Brain Inteligência Estratégica, esse nível ainda aponta para um mercado relativamente saudável em comparação com períodos de crise.

Minha Casa Minha Vida com papel central

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve destaque na sustentação do setor em 2025. Os lançamentos dentro do programa cresceram 13,9% na comparação anual, enquanto as vendas avançaram 15,1%. No ano, foram lançadas 228.842 unidades verticais no âmbito do MCMV (alta de 13,5%) e vendidas 196.876 unidades (incremento de 15,9%). O 4º trimestre registrou recorde de 69.168 unidades lançadas no programa.

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A participação do MCMV é mais expressiva nas regiões Norte e Nordeste, onde representa 69% e 50% da produção habitacional, respectivamente. O escoamento da oferta no programa é de 7,9 meses e o preço médio das unidades ficou em R$ 202,5 mil.

Preços e perspectivas para 2026

Os preços dos imóveis residenciais acumularam alta de 18,6% em 12 meses, segundo dados citados pela CBIC, mostrando-se acima dos principais índices de inflação: IPCA em 4,26% e INCC em 5,9%. Para 2026, a CBIC aponta perspectivas positivas, com expectativa de queda adicional da taxa Selic, melhora nas condições de crédito imobiliário e expansão do funding via SBPE e mercado de capitais, o que pode favorecer um aquecimento do setor. A meta governamental de contratar 3 milhões de unidades pelo MCMV até o fim do ano e a garantia de orçamento do FGTS também são apontadas como fatores de sustentação da demanda.

Representantes do setor avaliam que o mercado imobiliário em 2026 pode repetir ou superar o desempenho de 2025, que já foi marcado por recordes em lançamentos e vendas e pela consolidação do MCMV como pilar central da atividade.

Com informações de Infomoney