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Documentos judiciais apontam que o financista Jeffrey Epstein manteve, por mais de uma década, uma rede de contatos dentro da Microsoft e teve acesso a informações internas sobre decisões executivas da empresa. Arquivos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e reportagens do The New York Times detalham comunicações entre Epstein e diversos nomes ligados à gigante de tecnologia, incluindo atualizações sobre a busca por um novo CEO em 2011.
Segundo os registros, Epstein recebeu relatórios sobre a procura por um novo diretor executivo durante 2011, período em que a Microsoft enfrentava dificuldades no mercado de smartphones e em buscas online. Relacionamentos próximos permitiram que ele fosse informado de bastidores, discutisse mudanças de liderança e acompanhasse movimentações filantrópicas de executivos.
Relações e contatos
Entre as pessoas com quem Epstein manteve laços estão Bill Gates, Nathan Myhrvold (ex-chefe de tecnologia), Steven Sinofsky (ex-diretor da divisão Windows), Linda Stone (ex-executiva de pesquisa), Reid Hoffman (membro do conselho) e funcionários ligados aos fundos pessoais e iniciativas filantrópicas de Gates. Alguns desses nomes já não estavam mais na empresa; Hoffman, por exemplo, seguia no conselho.
Os documentos mostram que Epstein oferecia conselhos detalhados a fontes na Microsoft e que, após ser libertado da prisão em 2009, conseguiu retornar a círculos sociais influentes. Em 2013, Epstein chegou a sondar contatos sobre a possibilidade de liderar a Microsoft.
O relacionamento com a empresa remonta a eventos sociais no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Myhrvold, segundo os arquivos, foi figura central na aproximação, aparecendo em publicações e participando de interações sociais com Epstein. Linda Stone, que mais tarde foi vice-presidente da Microsoft, recebeu apoio de Epstein para organizar um simpósio sobre inteligência artificial nas Ilhas Virgens Americanas após deixar a companhia em 2002.
Troca de informações e benefícios
Os relatórios indicam que Steven Sinofsky encaminhou a Epstein e-mails internos sobre desempenho de produtos, como as vendas iniciais do Surface, e buscou aconselhamento sobre sua saída da Microsoft após o lançamento do Windows 8, em 2012. Em uma das comunicações, Sinofsky compartilhou até propostas de rescisão; os documentos registram também que o executivo recebeu US$ 14 milhões da Microsoft.
Imagem: Divulgação
Hoffman e outros passaram a frequentar eventos e propriedades de Epstein: registros de voo mostram que Hoffman e o diretor do Media Lab do MIT, Joi Ito, estiveram na ilha particular de Epstein em 2014. Epstein enviou presentes personalizados a Gates, Hoffman, Ito e outros em 2014, e manteve convites e encontros sociais com figuras do Vale do Silício, incluindo um jantar em Palo Alto em 2015 que contou com participantes como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Peter Thiel.
Posicionamentos públicos
Frank Shaw, chefe de comunicações da Microsoft, disse que a empresa ficou desapontada ao ver e-mails entre Epstein e ex-funcionários agindo em capacidade pessoal, e reconheceu que um ex-executivo compartilhou informações confidenciais. A assessoria de Bill Gates encaminhou pedidos por comentário à Microsoft; Gates, segundo registros, disse ter procurado arrecadar fundos para filantropia com Epstein e qualificou a associação como “um grande erro”, negando envolvimento em comportamentos impróprios do financista.
Reid Hoffman afirmou desejar a divulgação de todos os arquivos relacionados a Epstein e apoio às investigações jornalísticas e legais sobre conexões com o financista. Myhrvold e seu porta-voz se recusaram a comentar, e Walker e Sinofsky também não quiseram se manifestar, segundo os registros.
Os documentos citados foram analisados e reportados a partir dos arquivos do Departamento de Justiça dos EUA e de matérias publicadas pelo The New York Times, que detalham como Epstein transitou entre redes de poder e influência na indústria de tecnologia.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6