A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano — o nível mais alto desde 2006 — tem alterado a estratégia de alocação de recursos no mercado financeiro brasileiro. Com o custo do dinheiro elevado desde junho do ano passado, a alta dos juros tem desestimulando aberturas de capital na B3 e restringindo o crédito, ao mesmo tempo em que traz novamente a renda fixa para o centro das carteiras.
Ativos pós-fixados atrelados ao CDI, em especial os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), recuperaram protagonismo. Investidores têm buscado aplicações emitidas por grandes instituições financeiras por apresentarem, na avaliação de mercado, perfil de risco mais controlado em um cenário de maior cautela.
O enquadramento do investidor mudou também em razão de liquidações extrajudiciais decretadas pelo Banco Central em instituições como Master, Will Bank, Pleno e casas de menor porte, incluindo Protocred e BRK Financeira. Esses ocorridos reforçaram a atenção ao risco de crédito, principalmente no caso de bancos digitais e ciclos de menor solidez patrimonial.
Disciplina e diversificação
Para Edson Queiroz IV, banker de uma grande gestora, a Selic em torno de 15% recoloca a renda fixa na base das estratégias. Segundo ele, o maior rendimento e a previsibilidade tornam os CDBs relevantes na parcela defensiva das carteiras, sobretudo em papéis pós-fixados vinculados ao CDI.
Queiroz ressalta, porém, que o porte da instituição não deve ser o único critério de escolha. Ele recomenda disciplina, menor foco na “melhor taxa” e maior atenção à diversificação por instituição, aos critérios de crédito, aos limites por CPF/CNPJ e ao uso rigoroso de mecanismos de proteção, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro de suas regras e limites, para evitar que o prêmio de juros venha acompanhado de fragilidades evitáveis.
Prêmio maior não equivale a risco apenas por tamanho
Gustavo Cruz, sócio da Pequod Investimentos, observa que o atual ciclo de juros deixou os instrumentos bancários pós-fixados mais atraentes. CDBs de bancos de pequeno e médio porte passaram a oferecer prêmios superiores aos de grandes instituições como forma de captação, mas esse maior retorno não deve ser interpretado automaticamente como sinônimo de risco apenas pelo porte do emissor.
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Para Cruz, o risco de crédito está ligado à qualidade do balanço, ao nível de alavancagem, à liquidez e à governança da instituição. Ele lembra que o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com limite global de R$ 1 milhão por investidor a cada quatro anos, mas alerta que apoiar decisões exclusivamente na garantia do FGC pode gerar percepção distorcida de segurança. Além disso, o processo de ressarcimento pelo FGC pode demandar tempo.
Os especialistas consultados destacam que a combinação de análise técnica, diversificação entre emissores e prazos e avaliação da governança é essencial para otimizar a relação risco-retorno em um ambiente de juros elevados e seletividade crescente.
Com informações de Portalin

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6