O assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em um ataque aéreo coordenado entre Estados Unidos e Israel, deixa o país mais fragilizado internamente e reduz sua influência regional, embora não garanta o colapso imediato do regime, segundo análise publicada por especialistas.

Mesmo com perdas na cúpula militar que serão repostas, um sistema político erguido ao longo de 47 anos desde a revolução de 1978-79 não se desfaz apenas por meios aéreos. O Irã ainda conserva capacidade de reação, e o rumo do conflito permanece incerto.

No entanto, a República Islâmica, já afetada por impopularidade e desgaste, saiu desta ofensiva ainda mais diminuída, com poder interno e projeção externa em níveis que não se viam desde a queda do xá apoiado pelos EUA. O ataque ocorre em um momento em que, segundo analistas, a trajetória do país já vinha em declínio nos últimos dois anos.

Khamenei conduziu uma política de antagonismo contra Israel e os Estados Unidos, financiando e apoiando uma rede de grupos aliados na região — entre eles o Hezbollah no Líbano, o Hamas e a Jihad Islâmica na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e os houthis no Iêmen — que serviam tanto para atacar interesses israelenses quanto para proteger os interesses iranianos. Teerã também avançou em seu programa de mísseis e no enriquecimento de urânio a níveis próximos aos militares, embora negasse intenção de construir uma arma nuclear.

Especialistas citados na análise avaliam que o enfraquecimento do Irã começou a se acentuar após a resposta israelense à invasão do Hamas a partir de Gaza e se intensificou com ações que desgastaram defesas iranianas, derrotas do Hezbollah e a revolução na Síria que derrubou Bashar al-Assad, aliado de Teerã.

Sanam Vakil, do think tank Chatham House, afirmou que “a República Islâmica como a conhecemos não vai sobreviver a isso” e que “o Oriente Médio não será mais o mesmo”. Ellie Geranmayeh, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, disse que o Irã tentará aumentar o custo para Israel, EUA e aliados do Golfo, buscando forçar uma retirada antes que o regime seja desestabilizado.

Analistas apontam também para o risco de escalada regional por meio das forças por procuração iranianas. Ali Vaez, do International Crisis Group, advertiu que o envolvimento total do Hezbollah, ataques a bases americanas no Iraque e Síria ou uma intensificação dos houthis no Mar Vermelho transformariam o confronto em uma guerra regional, com impactos duradouros sobre preços do petróleo e inflação, especialmente se o Estreito de Ormuz for fechado.

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No médio e longo prazo, porém, um Irã consumido por conflitos internos, disputas de elite e problemas econômicos pode perder capacidade de interferência externa, abrindo espaço para mudanças na política regional, inclusive oportunidades para Líbano, palestinos e sírios. Ao mesmo tempo, o país que sair mais enfraquecido terá de conviver com um Israel em posição de maior influência e com os Estados Unidos como um ator em quem não confia.

Permanece incerto se um eventual novo governo iraniano faria concessões no programa nuclear ou se uma liderança mais radical procuraria acelerar esforços para obter uma arma, especialmente após a política do presidente Donald Trump, que em 2018 abandonou o acordo nuclear e autorizou ataques ao Irã durante negociações em curso.

Os desdobramentos da ofensiva e suas consequências para a estabilidade regional devem se revelar ao longo de meses e anos.

Com informações de Infomoney