O temor mais grave do mercado de petróleo se confirmou neste fim de semana, quando o conflito no Golfo passou a afetar diretamente o tráfego pelo Estreito de Hormuz, levando a uma paralisação quase total do trânsito de petroleiros e desencadeando ações de contenção por parte de armadores e tradings.
O Irã afirmou no domingo que o estreito permanece aberto, mas também declarou ter atacado três petroleiros ao longo do dia. Em reação aos incidentes e à declaração dos Estados Unidos sobre uma zona de alerta marítimo, companhias de navegação e operadores adotaram uma pausa voluntária, mantendo navios fora da rota até que haja clareza sobre a segurança.
Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo normalmente passa diariamente pelo Estreito de Hormuz. Com a abertura dos mercados prevista para poucas horas, a maioria dos traders projetou um avanço do Brent em relação ao fechamento de sexta-feira, em US$ 72,48 por barril.
“Como isso vai terminar é extremamente incerto neste momento”, afirmou Amarpreet Singh, analista do Barclays, ressaltando que, enquanto a situação perdurar, os mercados terão de enfrentar seus piores medos.
Amortecedores do mercado
O mercado físico conta com alguns mecanismos que podem atenuar o choque. Exportadores-chave do Golfo, entre eles a Arábia Saudita, aumentaram significativamente os embarques nas semanas anteriores aos ataques e possuem capacidade de armazenagem fora da região, além de um oleoduto que leva até o Mar Vermelho, viabilizando o desvio de parte das exportações.
Os estoques flutuantes (floating inventories) cresceram bastante no último ano, sugerindo um excesso de oferta global — embora grande parte desse excedente seja composta por petróleo russo e iraniano comercializado por canais paralelos. A Opep+ anunciou um aumento modesto da oferta por membros-chave para abril, de 206 mil barris por dia, e países como EUA e China mantêm reservas estratégicas que podem ser mobilizadas se necessário.
Mesmo assim, um fechamento efetivo do Estreito de Hormuz representa um impacto sísmico para o mercado global de petróleo. Refinarias asiáticas tentam postergar datas de carregamento no Golfo Pérsico, segundo traders consultados, embora ainda não haja acordos confirmados.
Diversos analistas e operadores esperam que os EUA tomem providências para restabelecer o tráfego pela via, diante da pressão por preços mais baixos. “Eles podem ser forçados a considerar opções além de uma campanha aérea — se o tráfego marítimo for desorganizado por um período longo — como uma escolta naval”, disse Aaron Stein, presidente do Foreign Policy Research Institute.
Imagem: Joaquincorbalan.com 2022
Mensagens contraditórias e consequências
O fim de semana foi marcado por mensagens contraditórias: os EUA emitiram um alerta amplo à navegação no Oriente Médio; um grande armador interpretou isso como motivo para evitar a região; e o Irã chegou a transmitir mensagens de rádio declarando o estreito fechado. Em seguida, um alto funcionário afirmou que navios americanos não estavam autorizados a entrar no Golfo, enquanto o chanceler Abbas Araghchi declarou que o país não pretende fechar o Estreito e que o mantém aberto.
Enquanto isso, petroleiros permanecem concentrados na área externa ao estreito à espera de definição sobre o risco. Dois seguradores, em conversas reservadas, projetaram forte aumento nas taxas para operar no Golfo Pérsico. Apesar da diminuição nos sinais visíveis de transponders, alguns navios ainda transitavam por Hormuz e voltavam a transmitir após a passagem.
Há também riscos financeiros associados a um salto do petróleo: posições altistas acumuladas no início do ano podem provocar realização de lucros caso haja um rali abrupto na abertura dos mercados. Analistas concordam que o episódio atual é mais intenso que a guerra de 12 dias ocorrida no ano passado, e que a trajetória para a segurança regional permanece incerta.
“O Irã retaliou de forma muito mais agressiva e ampla do que em trocas anteriores”, avaliou Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da consultoria Rystad Energy. “A menos que surjam rapidamente sinais de desescalada, esperamos uma reprecificação significativa para cima do petróleo no início da semana.”
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6