O grupo GPA iniciou negociações com credores para repactuar dívidas de curto prazo e buscar alternativas que melhorem seu perfil de liquidez, informou a companhia. Nos últimos dias a empresa contratou o escritório Munhoz Advogados, especialista em reestruturação de passivos, para apoiar o processo.

Em fato relevante publicado nesta quarta-feira (4), o controlador do Pão de Açúcar e do Extra detalhou que as tratativas visam reforçar a liquidez e não atingem as operações diárias, incluindo o relacionamento com fornecedores, clientes e parceiros. A companhia afirmou que pretende conduzir as negociações de forma ordenada e que uma reestruturação extrajudicial é uma possibilidade, sem recorrer a mecanismos de proteção jurídica, como a recuperação judicial.

O GPA enfrenta desafios em seu negócio principal de alimentos e enfrenta vencimentos relevantes de dívida previstos para 2026. Em notas explicativas do resultado do quarto trimestre, a administração listou medidas adotadas para mitigar esses riscos, entre elas alongamento de vencimentos da dívida financeira, redução de custos e despesas financeiras e monetização de créditos tributários.

O setor varejista no Brasil, especialmente redes de supermercados, tem sido impactado por taxas de juros em dois dígitos e elevados níveis de endividamento, contexto que agrava a pressão sobre o caixa das empresas.

Em meados de maio, por exemplo, o GPA terá um vencimento de cerca de R$ 450 milhões junto ao Itaú. A companhia informou que não dispõe de caixa suficiente e que a geração de recursos pela operação é consumida pelas despesas financeiras. Para honrar esse compromisso, o grupo conta com o recebimento de R$ 260 milhões relativos à venda de sua participação na FIC, parceria que mantinha com o próprio Itaú.

Os indicadores financeiros do GPA mostram piora no endividamento: o índice dívida líquida/EBITDA subiu para 2,4 vezes ao final de 2025, ante 1,6 vez no ano anterior. A dívida líquida alcançou R$ 2,08 bilhões (US$ 395 milhões), contra R$ 1,39 bilhão em 2024.

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Em janeiro, a rede contratou a consultoria Alvarez & Marsal para implementar um plano de eficiência, segundo registro em valores mobiliários.





As negociações em curso com credores fazem parte da estratégia da companhia para melhorar sua liquidez e ajustar o perfil de vencimentos sem impactar o funcionamento cotidiano das lojas.

Com informações de Investnews