O presidente Donald Trump prometeu garantir e escoltar petroleiros e navios de gás vindos e rumo ao Oriente Médio, mas analistas de energia e especialistas em direito avisam que ele tem cerca de uma semana para apresentar avanços concretos antes que os preços das commodities voltem a subir de forma acentuada.

Criar um mecanismo emergencial de seguros subsidiados pelo governo para centenas de embarcações já é complexo, afirmam especialistas, e acrescentar proteção contra ataques por mísseis e drones amplia ainda mais a incerteza operacional e jurídica.

“Se isso não for resolvido em uma semana, os mercados de petróleo bruto vão ficar céticos e impacientes, o que se traduzirá em preços mais altos”, disse o analista Dan Pickering, fundador da Pickering Energy Partners. Segundo ele, esse tipo de reação do mercado pressionaria ainda mais o governo dos Estados Unidos.

O estreito de Ormuz concentra cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo bruto e de gás natural liquefeito (GNL) e está, na prática, bloqueado em razão do conflito envolvendo o Irã. O Catar já interrompeu a produção de GNL, e o Iraque suspendeu grande parte da produção de petróleo por falta de capacidade de armazenamento doméstico — movimentos que podem se espalhar para outros países do Golfo.

Em situações normais, cerca de 150 navios transitam diariamente pelo estreito; atualmente o número caiu drasticamente. A maioria das seguradoras privadas evita cobrir riscos tão elevados; onde há cobertura disponível, os prêmios chegaram a quase cinco vezes os níveis anteriores, segundo fontes do setor. Vários petroleiros já relataram danos na região.

Como isso pode funcionar

A U.S. International Development Finance Corporation (DFC) disse estar “pronta para mobilizar” produtos de seguro contra risco político e garantias, mas não forneceu detalhes. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em 4 de março que a DFC oferecerá seguro a “um preço muito razoável” e que escoltas navais serão usadas “se necessário e quando apropriado”.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou ter “controle total” da via, mas Leavitt rebateu que “o Irã não estará mais controlando o Estreito de Ormuz nem restringindo o fluxo livre de energia”.

Trump tem cerca de uma semana para viabilizar trânsito de petróleo no Oriente Médio antes de nova alta de preços

Imagem: Divulgação

Especialistas apontam dificuldades para definir prêmios e termos do seguro. Özlem Gürses, professora de direito marítimo e de seguros na Tulane University Law School, disse que o governo poderia seguir modelo semelhante ao do seguro contra terrorismo pós-11 de setembro, com parcerias público-privadas e subsídios, mas que o risco é difícil de estimar e que os prêmios permaneceriam altos por se tratar de cobertura contra guerra.

Grandes transportadoras, como a Maersk, já suspenderam temporariamente reservas para o Oriente Médio. Amena Bakr, chefe de análise de energia para o Oriente Médio na Kpler, afirmou que os traders da empresa duvidam da eficácia de escoltas navais devido à exposição a mísseis iranianos e ao custo elevado da operação.

Autoridades europeias e outros aliados podem intensificar apoio. O presidente francês Emmanuel Macron disse que uma coalizão está sendo formada para reunir recursos, inclusive militares, com o objetivo de retomar e proteger o tráfego nessas rotas estratégicas.

Enquanto isso, os preços do gás natural na Ásia e na Europa — fortemente dependentes dos suprimentos do Catar — alcançaram máximas de vários anos. O preço global do petróleo bruto subiu quase 35% no ano, e a média nacional de gasolina nos Estados Unidos passou de US$ 2,73 o galão no início de janeiro para US$ 3,20 em março, com tendência de alta contínua.

Com informações de Infomoney