O projeto de Sam Altman para distinguir pessoas de robôs na internet vem ampliando parcerias com empresas de varejo e aplicativos populares para divulgar o World ID, sistema de “prova de humanidade” desenvolvido pela Tools for Humanity.

Em São Francisco, uma loja da Gap instalou um dispositivo Orb — equipamento do tamanho de uma bola de vôlei que captura imagens do rosto e da íris — para permitir que clientes obtenham o World ID no local. A iniciativa integra uma estratégia mais ampla da startup para levar a tecnologia a públicos cotidianos por meio de marcas conhecidas.

Além da presença em pontos de venda, a Tools for Humanity negocia um cartão de pagamento com a Visa que deve permitir o uso de ativos digitais, inclusive o Worldcoin, criptomoeda distribuída pela própria empresa como incentivo ao registro. O lançamento do cartão foi adiado em relação ao previsto para o ano passado, segundo a companhia, e Visa e Tools for Humanity não comentaram o cronograma.

O aplicativo de relacionamentos Tinder, controlado pelo Match Group, também testa o World ID no Japão com o objetivo de confirmar que perfis sejam operados por pessoas reais e verificar a idade informada pelos usuários — exigência legal naquele país. O vice-presidente sênior de confiança e segurança da Match, Yoel Roth, afirmou que o Tinder se interessou pelo sistema porque a verificação exige poucos dados; a empresa registrou já milhares de adesões de usuários japoneses e avalia ampliar os testes.

Altman cofundou a Tools for Humanity em 2019 com a proposta de proteger transações online contra bots. A empresa já fez campanhas públicas criticando testes tipo captcha e celebrando marcos humanos como forma de promover a ideia de “ser humano” em um cenário de avanço da inteligência artificial. Trevor Traina, diretor de negócios da Tools for Humanity, disse que a companhia pretende que parceiros façam grande parte da comunicação sobre o World ID.

Funcionamento, alcance e remuneração

A Tools for Humanity afirma que os Orbs convertem imagens do rosto e da íris em uma sequência anonimizada de números que fica armazenada no próprio aparelho do usuário e que a empresa não retém esses dados. Os dispositivos foram redesenhados para impedir armazenamento biométrico externo e apagar as imagens após o processamento. A empresa planeja cobrar uma taxa sempre que um aplicativo utilizar o World ID para confirmar que alguém é humano.

A distribuição de Worldcoin acompanha o registro de novos usuários do World ID; em alguns mercados fora dos EUA, operadores independentes dos Orbs recebem WLD cada vez que emitem um novo ID. A companhia informa que quase 18 milhões de pessoas já receberam um World ID, incluindo 1,1 milhão na América do Norte.

Startup de Sam Altman amplia divulgação do World ID por meio de marcas de consumo

Imagem: Sam Altman

Críticas e regulatoriedade

O uso de biometria e de criptomoedas gerou críticas e resistência regulatória em vários países, com proibições em alguns territórios por preocupações com segurança de dados. O Worldcoin foi disponibilizado na maior parte dos EUA no ano passado, mas ainda não opera no estado de Nova York porque a empresa não obteve licença local para distribuir moeda digital, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Tools for Humanity afirma manter diálogo com autoridades nos EUA e no exterior; Traina descreveu a relação como uma “dança constante” com reguladores.

Especialistas alertam para riscos se o sistema ganhar ampla adoção. Rory Mir, diretor de acesso aberto e engajamento tecnológico da Electronic Frontier Foundation, disse que operadores fraudulentos poderiam roubar ou revender World IDs e que, nesse caso, não seria possível alterar características biométricas como a íris. A porta-voz da Tools for Humanity considerou esse cenário especulativo.





A empresa espera que parcerias com marcas como Tinder e Gap ajudem a esclarecer o propósito do World ID para céticos que não vêem necessidade do sistema ou o associam apenas a uma iniciativa cripto. A Gap afirmou que instalou o Orb para atrair a atenção de profissionais de tecnologia em San Francisco, que não terá acesso aos dados do dispositivo, não receberá receita nem tokens WLD e, no momento, não usa o World ID em suas operações.

Tinder, Visa e Tools for Humanity não divulgaram detalhes financeiros dos acordos entre si.

Com informações de Investnews