O Banco Safra pagou, em 2025, R$ 11 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas controladores, em movimento realizado antes da vigência de novas regras de tributação sobre lucros no Brasil.

Segundo o balanço da instituição, aproximadamente 60% desse montante resulta de lucros acumulados de exercícios anteriores que estavam retidos no patrimônio líquido do banco. Trata-se do maior volume de proventos distribuídos pelo Safra desde pelo menos 2016.

O valor distribuído em 2025 é mais de sete vezes superior ao desembolsado em 2024 e ultrapassa o lucro líquido registrado pelo banco no ano, que foi de R$ 4,4 bilhões.

Motivação tributária

A antecipação dos pagamentos está associada às alterações na legislação fiscal. Até então, os dividendos eram isentos de Imposto de Renda, enquanto os juros sobre capital próprio eram tributados à alíquota de 15%. Com as mudanças aprovadas, dividendos acima de R$ 50 mil passaram a sofrer tributação de 10% e a alíquota sobre JCP subiu para 17,5%.

Diante desse cenário de tributação mais onerosa, diversas empresas brasileiras optaram por adiantar repasses de proventos aos acionistas antes que as novas regras entrassem em vigor.

Entre os grandes bancos, o Itaú Unibanco também registrou movimentação expressiva: encerrou 2025 com lucro de R$ 46,9 bilhões e distribuiu R$ 48,3 bilhões em dividendos e JCP no mesmo período.

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A distribuição do Safra também contribui para a concentração patrimonial da família controladora. De acordo com o índice de bilionários da Bloomberg, a fortuna de Vicky Safra, viúva do banqueiro Joseph Safra, é estimada em cerca de US$ 27,3 bilhões.

O pagamento antecipado pelo Safra reafirma a tendência observada em empresas brasileiras de adiantar proventos diante de alterações na carga tributária sobre lucros e dividendos.

Com informações de Portalin